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Queijo Minas Artesanal mais perto de ser Patrimônio da Humanidade

Data da Publicação:

05/04/2023

Belo Horizonte, MG – A valorização de um saber tradicional, histórico e centenário. A candidatura do Modo de Fazer o Queijo Minas Artesanal (QMA) à lista de Patrimônio Imaterial da Humanidade representa mais um avanço para uma cadeia produtiva tão importante para a cultura e economia de Minas Gerais. O reconhecimento internacional pode marcar a abertura de novos mercados, contribuir com a sustentabilidade dos negócios e ajudar a fixar futuras gerações no campo.

Desde 2019, três novas regiões foram caracterizadas como produtoras de Queijo Minas Artesanal (QMA): Serras de Ibitipoca, Diamantina e Entre Serras da Piedade ao Caraça. Elas somaram-se às regiões de Araxá; Canastra; Campos das Vertentes; Cerrado; Serra do Salitre; Serro e Triângulo Mineiro.

Para o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, a oficialização da candidatura é a materialização de todo o trabalho realizado pelo chamado Sistema Agricultura . “O QMA é um produto que carrega a cultura do nosso povo e nos remete à história do nosso Estado. A produção do queijo teve início no período colonial, mas ganhou forma e identidade própria em Minas Gerais. Esse processo, que foi preservado, já é Patrimônio Imaterial de Minas e do País, e esperamos que, em breve, seja também da humanidade”, afirma. A Seapa, por meio de suas vinculadas (Emater-MG, IMA e Epamig), estimula o fortalecimento da cadeia produtiva de queijos

Entre os produtores, a expectativa é grande para a inclusão do modo de produção do queijo mineiro à Lista Representativa da ONU. José Ricardo Ozólio, presidente da Associação Mineira dos Produtores de Queijos Artesanais de Minas Gerais (Amiqueijo), destaca que o sentimento de alegria é unânime. “A sensação é impagável. É um reconhecimento mundial que vai valorizar não só o nosso produto, mas também quem o produz. O título pode nos trazer uma série de benefícios, como a valorização e a conquista de novos mercados consumidores”, explica.

O dirigente da Amiqueijo lembra ainda que, desde a sensibilização para a candidatura que ocorreu no último ano em viagem ao Marrocos, muitas queijarias já procuraram a entidade para buscar informações sobre a regularização dos estabelecimentos, realizada pelo IMA e pelos Serviços de Inspeção dos municípios. “O mundo está de olho na produção de queijo em Minas, o que aumenta a importância da regularização para trabalharmos melhor e com mais qualidade. A partir desta visibilidade, acredito que também será possível incluir mais produtores na cadeia do queijo”, conclui.

Há também novos projetos em andamento no Estado como o Queijo Minas Legal, que prevê investimentos de R$ 2,8 milhões na regularização de queijarias, por meio de uma parceria com o Ministério Público estadual.

 

Dossiê do QMA já está nas mãos da Unesco

A delegação do Brasil junto à Unesco entregou ao Secretariado da Convenção do Patrimônio Imaterial a candidatura do bem cultural “Modo de Fazer o Queijo Minas Artesanal” à Lista Representativa do Patrimônio Imaterial da Humanidade, na última quarta-feira (29/3).

Fruto de articulações entre o governo de Minas e a União,  por meio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a candidatura busca garantir a preservação de conhecimentos e técnicas relacionados à produção de queijo desenvolvidos há gerações por produtores rurais mineiros. Parte dos documentos produzidos e encaminhados para apreciação teve origem nas caracterizações que a Emater-MG faz das regiões produtoras, detalhando o terroir e o histórico em torno da produção.

No fim de 2022, uma comitiva dos governos de Minas e federal, juntamente com os produtores de queijo do Estado, esteve em Rabat, capital do Marrocos, para sensibilizar as delegações presentes sobre a candidatura do modo de produção da iguaria mineira. Após o encontro, tiveram início os trâmites necessários para a formalização do processo, como a produção de vídeos e cartas de anuência, sob orientação da Seapa, Emater-MG, Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg), entre outros parceiros.

A candidatura está na etapa de submissão à Secretaria Executiva da Convenção da Unesco, na qual poderão ser solicitados ajustes e correções. A decisão final deve ocorrer entre os meses de novembro e dezembro de 2024 e, caso aprovada, será o primeiro título de um bem cultural brasileiro referente ao modo de produção de um alimento.

 

Iguaria já é Patrimônio Imaterial Brasileiro

Em 2002, o “Modo de Fazer o Queijo Artesanal da região do Serro” foi reconhecido pelo Iepha, sendo o primeiro bem cultural registrado por Minas Gerais como patrimônio imaterial. No ano de 2008, a produção foi reconhecida nacionalmente pelo Iphan, contemplando as regiões do Serro, Serra da Canastra e Serra do Salitre, tornando-se um Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

Com a revalidação do registro pelo órgão federal, em 2021, o bem cultural teve seu título alterado para “Modo de Fazer o Queijo Minas Artesanal”, ampliando o território de abrangência do registro para as regiões identificadas pelo Estado como produtoras de QMA.

Foto: Concursos realizados no Estado trazem grande visibilidade à cadeia produtiva do queijo Crédito: Divulgação

Jornal Mantiqueira – Projeto INTEGRA MINAS

Matéria publicada no jornal DIÁRIO DO COMÉRCIO – BH em 01/04/2023

https://diariodocomercio.com.br/agronegocio/queijo-minas-artesanal-mais-perto-de-ser-patrimonio-da-humanidade/

 

 

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