Poços de Caldas, MG – Em entrevista ao jornal Mantiqueira, o secretário municipal de Educação de Poços de Caldas, Marcus Lemos, fez um balanço detalhado dos seus primeiros seis meses de gestão. Com forte experiência na iniciativa privada, ele tem buscado aplicar práticas de gestão moderna, digitalização de processos e projetos de inclusão educacional no setor público. “Focamos muito no fazer o arroz com feijão bem feito”, resumiu Lemos, ao destacar que o principal desafio neste início foi garantir o funcionamento básico da rede, como a reposição de servidores. “A Secretaria tem mais de 3.500 servidores. Só nesses seis meses, admitimos mais de 400 pessoas, principalmente agentes de inclusão para trabalhar com alunos neurodivergentes.”
Inclusão e novos projetos
Entre os destaques da gestão, está a criação do Centro de Referência Educacional em Neurodivergência – SinguLAR que começa a funcionar no final de agosto, com o objetivo de coordenar todo o serviço voltado à neurodivergência na cidade. “Assim como temos a Escola Municipal Doutor Tarso de Coimbra e a Escola Municipal Helen Keller, agora teremos esse braço especializado para os neurodivergentes.”
Lemos também destacou o foco na digitalização da secretaria, o que gerou impacto direto na vida das famílias. “Zeramos o uso de papel na secretaria e nas unidades escolares. Antes, durante o cadastro infantil, tínhamos até 200 pais por dia na secretaria. Com o novo sistema digital via WhatsApp, reduzimos para dois pais por dia, o que significa uma redução de mais de 90%.”
Gestão e autonomia nas escolas
Uma das iniciativas mais celebradas pelo secretário foi a Lei aprovada recentemente, que destina verba direta às unidades escolares para pequenas reformas. “Antes, para trocar uma torneira, precisava acionar a Secretaria de Obras, que tem inúmeras outras demandas. Agora, com o recurso direto, a escola pode resolver problemas pequenos com mais agilidade.” Outro ponto importante foi o lançamento do programa ‘Adote uma Escola’, que possibilita que empresas da iniciativa privada contribuam com projetos escolares de forma transparente. “A contrapartida é apenas uma placa com o nome da empresa. Não há cunho comercial. É um trabalho social e muitas empresas da cidade já fazem isso há anos.”
Eventos, capacitações e valorização do educador
A Secretaria promoveu diversos treinamentos nas áreas de inclusão, alfabetização e desenvolvimento pedagógico. Em agosto, está previsto um dos maiores eventos do ano: o Dia E da Educação, que acontece nos dias 13 e 14 de agosto no Senac. “O evento é gratuito e aberto a todos os educadores da rede municipal, estadual, privada, universidades e também à sociedade civil. Vamos abordar desde alfabetização até inteligência artificial, alimentação e saúde mental. É um espaço para troca de experiências e debate sobre educação”, explicou Lemos. “No dia 14 à noite, teremos uma recepção especial para empresários interessados em adotar projetos da rede.”
Contratações e novos modelos de seleção
Sobre a demanda de professores, o secretário informou que a maior parte já foi suprida com os 400 convocados, incluindo professores, merendeiras e especialistas. “É um dos maiores volumes de contratação da história recente da Secretaria.” Contudo, ele reconhece que ainda há 84 vagas em aberto, principalmente para professores especialistas (P2) em vagas reservadas – que não podem ser preenchidas por concurso público. “Estamos enviando à Câmara um projeto para flexibilizar a lei e permitir contratações por currículo e teste psicológico, por meio de processo seletivo simplificado. Isso vai trazer mais assertividade na escolha e agilidade na reposição.”
Desafios da gestão pública
Questionado sobre a transição do setor privado para o público, Lemos admitiu as diferenças. “A burocracia, muitas vezes mal vista, também serve para proteger a máquina pública. Mas os ritos são mais lentos. Por isso, estamos aplicando ferramentas que funcionam bem no setor privado, como gestão por dados, capacitação contínua, saúde mental e gestão de projetos.”
Ele também ressaltou a carga de trabalho do servidor público. “É importante dizer que o agente público trabalha muito. Quase todo final de semana temos eventos em escolas – festas juninas, apresentações teatrais, esportivas – e isso exige acompanhamento.” Mesmo assim, Lemos mantém sua ligação com o setor privado. “Hoje, o governo demanda muito mais do meu tempo do que antes, mas sigo como sócio e conselheiro estratégico do meu negócio.”
PAULO VITOR DE CAMPOS
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