O Brasil enfrenta, em 2025, uma das maiores fugas de milionários de sua história recente. De acordo com o relatório de migração global de riqueza da consultoria Henley & Partners, cerca de 1,2 mil brasileiros com patrimônio superior a US$ 1 milhão devem deixar o país neste ano — quase o dobro do registrado em 2019, antes da pandemia.
O movimento faz parte de uma tendência global: milionários migram em busca de mais segurança jurídica, menor carga tributária e melhor qualidade de vida. Contudo, o caso brasileiro chama a atenção por fatores adicionais apontados por especialistas. Além dos motivos comuns, destacam-se a insegurança pública, a instabilidade política, a elevada carga tributária e a crescente desconfiança em relação ao ambiente de negócios no país e incertezas jurídicas.
A saída dessas pessoas — que concentram investimentos, geram empregos e movimentam cadeias produtivas — não é apenas simbólica. É um alerta. A debandada de capital humano e financeiro tem impactos diretos na economia nacional e reflete a dificuldade estrutural do Brasil em oferecer condições adequadas para reter talentos e investidores.
Não se trata de defender privilégios, mas de reconhecer que a construção de um ambiente mais estável, seguro e previsível é um passo essencial para que o país volte a ser visto como um destino promissor — inclusive por seus próprios cidadãos mais prósperos.