Em plena era da hiperconectividade, quando até o cotidiano mais trivial parece depender de uma conexão à internet, o Brasil ainda convive com um dado alarmante: 20,5 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade – cerca de 10,9% da população dessa faixa etária – não utilizam a internet. E o motivo mais comum para esse afastamento é ainda mais preocupante: 45,6% desse grupo, ou 9,3 milhões de brasileiros, simplesmente não sabem como acessar ou utilizar a rede.
A informação vem da mais recente edição do suplemento de tecnologia da informação e comunicação da PNAD Contínua, divulgado pelo IBGE. O levantamento mostra um paradoxo nacional: embora 168 milhões de brasileiros já tenham acesso à internet (89,1% da população a partir dos 10 anos), ainda há um contingente significativo preso à exclusão digital – uma exclusão que não se dá apenas por falta de infraestrutura, mas sobretudo por ausência de conhecimento.
Entre os idosos, esse abismo é ainda mais profundo: dois em cada três que não usam a internet (66,1%) admitem que não sabem como. Apesar de haver um crescimento no uso entre essa parcela da população, o dado escancara o desafio de letramento digital em um país que avança tecnologicamente de forma desigual.
Mais do que uma estatística, essa realidade representa milhões de brasileiros afastados de oportunidades básicas – acesso a serviços públicos, bancarização, lazer, informação, educação e trabalho. Em um mundo em que a tecnologia é ponte para a cidadania, não saber usar a internet significa estar à margem.
É urgente que o poder público e a sociedade civil enfrentem essa exclusão com políticas consistentes de alfabetização digital. Iniciativas de capacitação tecnológica, especialmente voltadas a idosos e populações vulneráveis, devem ser priorizadas se queremos um país verdadeiramente conectado – não apenas em cabos e redes, mas em direitos, inclusão e cidadania.