Passos, MG – O cachorro comunitário “Negão”, que havia desaparecido há cerca de uma semana em Passos, no Sul de Minas, foi finalmente encontrado na tarde desta quinta-feira (24), nas imediações de Bom Jesus da Penha, a aproximadamente 45 km de onde vivia. O caso, que comoveu moradores e mobilizou defensores da causa animal, está sendo investigado como crime de maus-tratos pela Polícia Civil.
O animal foi localizado por uma veterinária e um amigo, nas proximidades da rodovia que liga Bom Jesus da Penha a São Pedro da União — o mesmo trajeto onde ele teria sido abandonado. Segundo as autoridades, Negão passa bem e agora deverá ser acolhido definitivamente em um novo lar.
Negão era conhecido como mascote do bairro Villagio Itália, em Passos, onde vivia há cerca de cinco meses sob os cuidados dos próprios moradores. A comunidade se revezava para oferecer ração, abrigo, água e carinho ao animal, que rapidamente se tornou figura querida na vizinhança.
A situação mudou após câmeras de segurança registrarem o momento em que o cão entra na garagem de uma residência. Imagens posteriores indicam que ele foi colocado no porta-malas de um veículo e deixado na zona rural. Desde então, o desaparecimento gerou comoção nas redes sociais e levou moradores a organizarem buscas por diversos pontos da cidade e regiões vizinhas.
A esposa do morador que retirou o cão confirmou, sob condição de anonimato, que o casal levou o animal até uma área rural. Ela alegou que tinha medo do comportamento de Negão, que considerava agressivo, mas reconheceu que se arrependeram da decisão.
Para ajudar nas buscas, a própria família envolvida chegou a oferecer uma recompensa de R$ 2 mil por informações que levassem ao paradeiro do cão.
Segundo a coordenadora de Bem-Estar Animal da Prefeitura de Passos, Angélica Esper, o caso chegou a ser comunicado às autoridades antes do desaparecimento. No entanto, quando uma equipe foi até o bairro, o cachorro já havia sido retirado. Ela reforçou que, como animal comunitário, Negão não apresentava motivos para ser recolhido.
A Polícia Civil segue investigando o caso e informou que as circunstâncias do abandono serão apuradas com rigor.
Os responsáveis poderão ser indiciados por maus-tratos, conforme previsto na legislação de proteção animal.