A partir desta sexta-feira, 1, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a contar com um importante reforço: a rede privada de planos de saúde. Por meio de uma portaria do Ministério da Saúde, os R$ 750 milhões em dívidas de ressarcimento das operadoras ao SUS poderão ser transformados em consultas, exames e cirurgias, aliviando a espera de milhões de brasileiros na atenção especializada.
A medida, parte do programa Agora Tem Especialistas, é pragmática e urgente. Em vez de aguardar o pagamento dessas dívidas em dinheiro — um processo lento e, por vezes, ineficaz — o governo antecipa o benefício à população com a prestação direta de serviços. Trata-se de uma solução inteligente, que rompe com a burocracia da cobrança e coloca o foco onde ele deveria estar: no cuidado ao cidadão.
É evidente que o SUS precisa de mais do que paliativos. A fila por cirurgias eletivas, exames de imagem e atendimentos com especialistas é um drama nacional. Mas a articulação com a rede privada, ainda que por compensação, é uma forma de utilizar a estrutura ociosa do setor suplementar em benefício de quem mais precisa.
Por trás da proposta, também há um reconhecimento: muitos dos que hoje recorrem ao SUS foram, um dia, clientes de planos de saúde que negaram atendimento ou o prestaram de forma irregular — o que gera a obrigação legal de ressarcimento ao sistema público. O que o governo faz, agora, é transformar esse passivo em ação imediata.
Ainda assim, é preciso vigilância. A implementação deve ser transparente, com controle rigoroso da qualidade dos serviços prestados, garantia de equidade no acesso e respeito à ordem de prioridade clínica dos pacientes. Como tudo no Brasil precisa de muita vigilância.