A possível legalização dos cassinos e bingos no Brasil, tema que há décadas divide opiniões, voltou à pauta com força no Congresso Nacional. O Projeto de Lei 2.234/22, já aprovado na Câmara e na CCJ do Senado, prevê a liberação dos jogos de azar em polos turísticos e complexos de lazer, como resorts e hotéis de luxo. A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) projeta números expressivos: US$ 70 bilhões em investimentos, 10 mil empregos diretos e terceirizados, e até R$ 20 bilhões em arrecadação anual para os cofres federais.
Os defensores da proposta argumentam que a medida seria um motor para o turismo, movimentando setores como construção, eventos, marketing e qualificação profissional. Países como aPortugal, Uruguai e Estados Unidos já colhem frutos econômicos significativos dessa atividade regulamentada. No Brasil, entretanto, a discussão sempre esbarra em duas barreiras históricas: o moralismo e o receio do aumento da lavagem de dinheiro e da ludopatia.
A questão central é: o País está preparado para regulamentar e fiscalizar com eficiência um setor de altíssima rentabilidade, mas também de alto risco social? Sem uma estrutura sólida de controle, o que pode ser uma fonte de desenvolvimento pode se transformar em um novo flanco para o crime organizado e para problemas de saúde pública.
O adiamento da votação no Senado mostra que, apesar do apelo econômico, ainda há resistências políticas e sociais. Se a proposta avançar, será imprescindível que venha acompanhada de políticas robustas de prevenção e tratamento do vício em jogos, mecanismos de transparência financeira e rígida fiscalização.
O Brasil precisa decidir se continuará exportando jogadores para cassinos no exterior ou se transformará esse mercado interno em fonte legítima de receita e empregos.
Poços de Caldas, que foi um polo de cassinos no passado aguarda a retomada da atividade e, quem sabe, receber recursos a incrementar ainda mais o turismo local.