Nos últimos dias, a expectativa em torno da exploração de terras-raras em Poços de Caldas voltou a ganhar destaque, com projeções que falam em até R$ 8 bilhões em investimentos até 2030. A chegada das empresas australianas Viridis e Meteoric posiciona o município como protagonista na cadeia de minerais estratégicos, hoje considerada uma das maiores apostas para o desenvolvimento econômico local. Até agora, a Prefeitura estima que o setor aportará R$ 1 bilhão até 2028, com potencial para impulsionar emprego e renda.
Mineração, porém, não é novidade para Poços. O município carrega uma longa história ligada ao setor, abrigando inclusive operações de multinacionais. A experiência ensina que a exploração mineral é, por natureza, finita: o minério “só dá uma vez” e, uma vez retirado, não há como repor. Esse fato obriga o debate a ir além do entusiasmo inicial, ponderando sobre qual será o legado real para a cidade.
O passado recente, com exemplos que vão da extração de urânio em áreas federais à atuação de mineradoras privadas, mostra que o risco de repetir o ciclo “lucros que vão, buracos que ficam” é concreto. Por isso, se Poços de Caldas quer transformar as terras-raras em um marco de progresso sustentável, será preciso agir com planejamento, transparência e contrapartidas robustas. Isso significa exigir planos de recuperação ambiental consistentes, garantias contratuais para mitigação de impactos sociais e urbanos, e investimentos em diversificação econômica que sobrevivam ao fim da lavra.
A mineração pode, sim, ser vetor de transformação, mas só se for acompanhada de responsabilidade social e compromisso de longo prazo. Poços de Caldas não pode se contentar em ser apenas fornecedora de matéria-prima; deve aspirar a ocupar espaço também na industrialização e no desenvolvimento tecnológico da cadeia das terras-raras. Assim, os ganhos poderão ser duradouros e não apenas mais um capítulo de oportunidades que se perderam na poeira das minas.