Poços de Caldas, MG – Uma das maiores queimadas registradas este ano na região mobilizou moradores, voluntários e produtores rurais ao longo de toda a terça-feira (12), estendendo-se noite adentro, na margem da rodovia que liga Poços de Caldas ao distrito de Córrego D’Antas. A fumaça densa tomou conta da zona oeste da cidade e pôde ser vista de vários pontos, inclusive nas proximidades do Centro Administrativo, chamando a atenção de motoristas e moradores.
A combinação de estiagem prolongada e vegetação seca favoreceu a propagação rápida das chamas, que avançaram por uma área de preservação ambiental, dificultando o trabalho de combate. Segundo relatos, o fogo começou ainda pela manhã e, até a noite, seguia ativo em vários pontos, exigindo ação contínua das equipes. Os voluntários ficaram no local até por volta das 21hs.
Mobilização de voluntários
Sem descanso, voluntários e moradores da região se uniram para tentar conter o incêndio. Gustavo Pereira, relações públicas e morador de uma fazenda próxima, relatou que todos da comunidade se mobilizaram.
— “Eu moro aqui na fazenda, então, como todo mundo que mora por aqui, a gente veio ajudar a conter as chamas. É um terreno de mata, área de preservação, muito fechado, com bastante cipó, o que dificulta chegar e conter o fogo. É frustrante porque, em pleno 2025, ainda não temos estrutura melhor para atuar rápido. Estamos nesse fogo desde as 10h da manhã”, disse.
Dificuldades no combate
O produtor rural Paulo Mariotti Flora também participa da linha de frente e destacou a principal barreira enfrentada. — “A maior dificuldade é a topografia. É muito íngreme e com áreas difíceis de acessar, o que torna o combate corpo a corpo complicado. O Corpo de Bombeiros vem, mas também tem limitações — à noite eles não combatem, então decidimos agir por conta própria para evitar que o fogo passasse para o lado de baixo da propriedade”, afirmou.
Segundo ele, durante o dia cerca de 20 pessoas trabalharam na contenção e, à noite, o número caiu para 10 voluntários. A estimativa é de que a área atingida tenha entre 20 e 25 hectares queimados, de um total de 30 hectares de reserva.
Trabalho continua
Os voluntários informaram que devem retomar as ações nesta quarta-feira, especialmente nos períodos mais quentes do dia, quando o fogo tende a ganhar força. O trabalho consiste em conter as bordas das chamas com uso de água e ferramentas manuais, como enxadas, para criar aceiros e impedir novos avanços.
A grande queimada reforça o alerta sobre o risco de incêndios florestais nesta época do ano, agravados pela seca e pelas altas temperaturas. Autoridades e moradores pedem que a população redobre os cuidados, evitando qualquer ação que possa gerar faíscas ou iniciar focos de fogo.
PAULO VITOR DE CAMPOS
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