Os números divulgados para o mês de setembro impressionam: o Brasil registrou, ao longo das quatro primeiras semanas, um faturamento diário de US$ 1,4 bilhão em exportações. Traduzido para uma escala de tempo ainda mais próxima, isso significa que, a cada minuto, o país movimentou quase US$ 1 milhão no comércio internacional.
Mais expressivo, porém, é o dado que aponta a participação do agronegócio nesse resultado: praticamente metade de todo o faturamento vem do campo. Trata-se de um setor que, ao longo das últimas décadas, consolidou-se como pilar da economia brasileira e, mais uma vez, mostra sua capacidade de sustentar o equilíbrio econômico mesmo em cenários adversos.
O desempenho do agro não apenas reforçou a balança comercial, como também ajudou a conter a valorização do dólar, evitando impactos ainda maiores sobre preços, inflação e custo de vida. Em tempos de instabilidade, a força do campo funcionou como amortecedor para o conjunto da economia.
Esse protagonismo, entretanto, traz consigo uma reflexão inevitável: é saudável que tamanha dependência do setor agroexportador continue sendo a principal âncora da economia nacional? Ou o país deveria perseguir uma diversificação mais robusta de sua matriz produtiva, reduzindo vulnerabilidades e estimulando setores como tecnologia, indústria de transformação e serviços de alto valor agregado?
Celebrar os resultados é justo. Mas é igualmente necessário encarar o desafio de pensar o futuro. O agronegócio seguirá sendo fundamental — e deve ser valorizado. Porém, um projeto de país não pode se sustentar apenas em uma base. A pujança do campo precisa andar lado a lado com políticas de inovação, infraestrutura, educação e desenvolvimento sustentável, sob risco de permanecermos eternamente reféns de ciclos de commodities e oscilações externas.