O Brasil chega às vésperas da COP 30, que será realizada em Belém, cercado de expectativas e contradições. O país quer se afirmar como líder mundial na agenda ambiental, mas enfrenta dilemas que colocam em xeque sua coerência entre o discurso e a prática.
Uma pesquisa recente do Datafolha revelou que 61% dos brasileiros são contrários à exploração de petróleo na costa amazônica, região de altíssima sensibilidade ecológica. Mesmo assim, o governo federal mantém aberta a possibilidade de autorizar a atividade, sob o argumento de soberania e necessidade econômica. A contradição é evidente: enquanto o Brasil promete liderar a transição verde, continua flertando com combustíveis fósseis em áreas críticas.Em Belém, obras como a Avenida Liberdade, que corta áreas de floresta para preparar a cidade para a conferência, também levantam questionamentos sobre o custo ambiental das escolhas políticas. A preparação para a COP não pode repetir o velho erro de destruir o que se pretende proteger.
No campo político, o Supremo Tribunal Federal manteve Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, decisão que mantém o ambiente institucional tenso e reforça a necessidade de estabilidade num momento em que o país será observado pelo mundo.
O Brasil tem diante de si uma oportunidade rara de mostrar maturidade ambiental, social e política. Mas, para isso, precisa demonstrar coerência, transparência e compromisso real. Liderar o debate climático não é apenas sediar uma conferência — é provar, com ações, que o verde do discurso não se apaga diante do cinza das contradições.