Minas Gerais, tradicional força do agronegócio brasileiro, ficou de fora da lista das 20 cidades com maior desenvolvimento agropecuário do país, segundo o Índice de Desenvolvimento da Agropecuária Municipal (Idam) 2025, da Confederação Nacional de Municípios. O resultado é simbólico: revela um setor que, embora diversificado e relevante, tem avançado menos do que poderia — e perdido espaço em relação a outras regiões.
O desempenho médio dos 853 municípios mineiros, com índice de 0,4043, ficou abaixo da média nacional (0,4077) e registra uma queda de 4,5% desde 2016. Mesmo municípios com tradição agropecuária, como Unaí — que figurava entre os 20 primeiros no ano passado —, perderam posição. A estagnação observada entre 2024 e 2025 reforça que o estado não conseguiu reverter as perdas acumuladas ao longo da década.
O Idam leva em conta quatro dimensões fundamentais — produção e produtividade, emprego formal no campo, crédito rural e arrecadação do ITR —, e Minas apresenta desafios em todas elas. A redução de postos formais de trabalho, a concentração do crédito em poucas regiões e a limitação da infraestrutura rural são entraves conhecidos, que pedem políticas públicas consistentes e maior apoio técnico aos pequenos e médios produtores.
Apesar de sua força histórica, o agro mineiro parece em marcha lenta. O estado precisa repensar suas estratégias de fomento, valorizando a inovação, a sustentabilidade e a interiorização do crédito e da assistência técnica. O futuro da agropecuária em Minas depende menos da tradição e mais da capacidade de modernizar-se para não perder o protagonismo que sempre marcou sua história.