Poços de Caldas, MG – O racismo é um sistema que atravessa corpos, histórias e afetos — e é também tema central do espetáculo “A Coisa Tá Ficando Preta”, o trabalho do ator e pesquisador Aldo Vieira, que chega ao Sul de Minas propondo diálogo e transformação. A montagem parte de vivências pessoais e coletivas para discutir a persistência das desigualdades raciais no Brasil e reafirmar a potência da arte preta como instrumento político e poético.
Criado a partir de experiências do próprio artista e de referências teóricas como Frantz Fanon, Neusa Santos Souza e Augusto Boal, o monólogo se constrói entre palavra, corpo e emoção, revisitando memórias que refletem o cotidiano da população negra em uma sociedade ainda marcada por heranças coloniais. O resultado é uma encenação intensa e sensível, em que o palco se torna espaço de cura, denúncia e encontro.
A pesquisa de Aldo nasce da inquietação com a ausência de referências negras nos espaços de formação e criação artística. Essa percepção o impulsionou a construir uma linguagem cênica que reivindica presença e pertencimento, evidenciando a importância de reconhecer e valorizar a cultura afrobrasileira.
A circulação de “A Coisa Tá Ficando Preta” é realizada por meio do edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e leva o espetáculo a três cidades mineiras: Palmeiral (Distrito de Botelhos), Alfenas e Poços de Caldas. Com entrada gratuita e tradução em Libras, as apresentações são voltadas ao público a partir de 14 anos e pretendem ampliar o acesso à arte e ao debate sobre o racismo estrutural.
Mais do que uma apresentação teatral, o projeto propõe um gesto coletivo de resistência e reconhecimento — um chamado à escuta, à reflexão e ao fortalecimento da identidade negra no território.
SERVIÇO —
Espetáculo “A Coisa
Tá Ficando Preta”
Palmeiral (Distrito de Botelhos) — 31/10, às 19h, no Centro de Memória Padre Thomas (Rua Professora Izaltina, 31)
Alfenas — 01/11, às 19h, no Teatro Municipal (Praça Fausto Monteiro, 85)
Poços de Caldas — 21/11, às 19h, no Centro de Artes e Esporte Unificado CEU (Rua Miguel Calixto de Moraes, 1153)
Entrada gratuita | Classificação: 14 anos | Acessível em Libras
Sobre Aldo Vieira
Ator, dramaturgo e pesquisador das artes cênicas, Aldo Vieira desenvolve sua trajetória artística a partir da perspectiva de um homem negro no Brasil. Com formação em teatro e experiência em projetos culturais voltados à valorização da identidade negra, Aldo utiliza o palco como espaço de reflexão e denúncia das desigualdades raciais, articulando arte e política como instrumentos de resistência e transformação social.
Ficha técnica:
Aldo Vieira: ator e dramaturgo
Leidy Nara: Direção cênica
Adnão Ionara: Preparação corporal e vocal
Pedro Delboni: Sonoplastia e projeção
Marcelo Oliveira: Assistente de produção
Antônio Molina: Iluminação
João Ferreira: Fotografia
Robson Américo: Videomaker
Raissa Lima e Mariane David: Assessoria de imprensa e comunicação
Designer gráfico: Paulo Tothy
Cássio Vasconcelos: Intérprete de Libras
Produção executiva: Dani Vilas Boas
Projeto realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc – Edital PNAB 10/2024 – Circulação de Espetáculos (ID 11134/2024), por meio do Governo de Minas Gerais e do Ministério da Cultura.