Poços de Caldas, MG – Conversamos com o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Poços de Caldas, Waldir Miguel. Ele faz um retrato amplo do momento do turismo local: reconhece a força do destino, aponta avanços, descreve desafios de caixa e demanda no pós-pandemia, e lança um apelo direto à união da categoria. “A Prefeitura está enfeitando a cidade, isso atrai público e é bom para todo mundo. Mas turismo dá trabalho diário, é cuidar do detalhe e manter o padrão o ano inteiro”, resume.
Cidade enfeitada, vitrines cheias — e impacto em toda a economia
Para Waldir, a cidade vive um ciclo positivo de imagem e acolhimento, impulsionado pelo calendário e pela ambientação urbana. “A cidade já está sendo enfeitada. Ruas, monumentos, praças iluminada. Isso atrai bastante o público. E não é bom só para a hotelaria: beneficia o comércio, os serviços e as cidades vizinhas que se abastecem aqui”, afirma.
Ele dimensiona a circulação regional diária com uma estimativa que demonstra a capilaridade de Poços: “Tem 30, 40 mil pessoas diariamente — se não quiser, 50 mil — que visitam a cidade para tudo: serviço bancário, atendimento odontológico, medicina. Isso movimenta nosso comércio.”
Ao mesmo tempo, o Sindicato reforça as ações de promoção. “Nas nossas mídias e campanhas, mostramos Poços enfeitada, damos as boas-vindas e reforçamos a beleza do destino”, diz.
Sazonalidade: fim de semana forte, meio de semana aquém
O pico do ano até aqui foi claro. “O mês de julho foi muito bom e o começo do ano também. De agosto para cá, houve queda”, relata. A explicação soma comportamento de demanda e calendário: “Poços é atrativa o ano todo, mas o hóspede vem mais no fim de semana. No meio da semana, a hospedagem fica a desejar. Tentamos reduzir diárias, oferecer benefícios, criar estímulos — não é simples transformar em turismo 365 dias por ano.” Os feriados no meio da semana também pesaram: “Quebraram aquele sistema que estica o final de semana e espalha a ocupação”, explica.
Caixa apertado no pós-pandemia e o fim de incentivos
Waldir lembra que o setor ainda sente efeitos do período crítico. “A pandemia repercute até hoje. Havia benefícios tributários que ajudaram os hotéis, e isso mudou. A situação dos hotéis não está um ‘mar de rosas’.”
Mesmo com o quadro mais desafiador, ele ressalta que os sábados e domingos seguem sustentando o movimento: “Os finais de semana têm tido fluxo. É o que vem segurando o caixa.”
Qualificação da oferta: reformas, ampliação e serviço melhor
Se a demanda oscila, a oferta reage com investimentos na qualidade. “Os hotéis estão se remodelando. O Hotel Nacional foi totalmente renovado e está ampliando área de lazer. O Hotel Villa Fiori adquiriu terreno ao lado para estacionamento e ampliação. Bares e restaurantes também melhoraram cardápios e atendimento. A gente vê a olho nu a evolução”, enumera.
Novo mercado à vista: empresas, terras raras e internacionalização
O dirigente destaca a chegada de empresas ligadas a novos ciclos produtivos — e seus reflexos na hotelaria. “Esse negócio das terras raras tem trazido empresas internacionais para Poços. Os hotéis já oferecem atendimento em inglês e espanhol. Alguns estão prontos, outros se preparando. A gente não sabe o tamanho do turista corporativo internacional que pode chegar — e temos de estar prontos.”
Marketing e calendário: manter Poços no radar
Na estratégia de promoção, o Sindicato reforça um mantra: mostrar a cidade pronta e acolhedora. “Nossas mídias já colocam a cidade enfeitada nas campanhas, é boa-vinda ao turista. Isso ajuda na decisão de viagem de última hora e alavanca o fim de semana”, diz Waldir.
A pauta sindical: serviços, pertencer e financiar a representação
No trecho mais direto da conversa, Waldir fala à própria base. “Lamento que muitos colegas ainda não são filiados ao Sindicato. Eles usufruem benefícios sem contribuir, e isso não é justo com quem sustenta a representação”, afirma.
Segundo ele, a mensalidade é acessível — “R$ 100, R$ 200 por mês” — “para ter benefícios” como assessoria, mediação, defesa de interesses e apoio em capacitação. “É falta de consideração com a categoria não participar. Sindicato forte depende de financiamento coletivo”, afirma. Waldir também anuncia a transição na liderança: “Estou encerrando meu ciclo como presidente. Logo outra pessoa assume. Passo a bola com orgulho e com a casa organizada para continuar avançando.”
O que vem pela frente: constância, qualificação e agenda cheia
Para 2026, o recado é consistência. Experiência do visitante: manter cidade cuidada e enfeitada nos períodos chave, reduzindo fricções (sinalização, trânsito, limpeza).
Qualificação contínua: idiomas, atendimento, gastronomia autoral, lazer nos hotéis, programação cultural e eventos corporativos para ocupar o meio de semana.
Promoção inteligente: campanhas que integrem destino + hotel + gastronomia, ofertas midweek e pacotes com parceiros regionais.
Ambiente de negócios: diálogo constante com o poder público para calendário de eventos, infraestrutura, segurança e conectividade.
União setorial: ampliar filiação ao Sindicato para garantir voz forte em negociações e serviços compartilhados.
“Turismo não se faz sozinho”
Waldir encerra com um convite: “Turismo não se faz sozinho. É Prefeitura cuidando da cidade, empresário investindo, Sindicato articulando, e a comunidade acolhendo. Poços tem beleza e nome, mas precisa de trabalho diário para transformar isso em ocupação, faturamento e emprego.”
Paulo Vitor de Campos
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