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Endividamento recorde

Data da Publicação:

07/11/2025

O mais recente levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) acende um sinal vermelho sobre a situação financeira das famílias brasileiras. Em outubro, 79,5% das famílias relataram ter dívidas a vencer, o maior percentual já registrado na série histórica. É o nono mês consecutivo de alta, refletindo o peso do crédito caro, da renda comprimida e do consumo sustentado por parcelamentos. ]
Mais grave que o número absoluto é a qualidade desse endividamento. Cerca de 30,5% das famílias estão inadimplentes, e 13,2% afirmam não ter condições de quitar o que devem. O dado mostra que o crédito, que deveria ser instrumento de planejamento e alavancagem de consumo, transformou-se em armadilha para milhões de brasileiros — especialmente em um cenário de juros elevados e recuperação econômica desigual.
Os recortes por faixa de renda ajudam a entender a dimensão do problema. O endividamento cresce com mais força entre famílias que ganham entre cinco e dez salários mínimos, segmento que tradicionalmente sustenta o consumo de classe média e a movimentação do comércio. Já a inadimplência mensal aumentou entre aquelas com rendimentos entre três e cinco salários, evidenciando o estreitamento do orçamento familiar. O grupo intermediário também é o que mais sente o impacto das dívidas atrasadas, com alta de 0,6 ponto percentual em relação a setembro.
O cenário evidencia uma pressão crescente sobre o poder de compra. A combinação de inflação persistente em itens essenciais, encargos elevados no crédito e baixo crescimento da renda real corrói o orçamento doméstico e empurra o consumidor para o endividamento contínuo. A situação exige respostas coordenadas — tanto do governo, com políticas de educação financeira e estímulo ao crédito responsável, quanto do sistema financeiro, com linhas de renegociação mais acessíveis.
O endividamento é parte da engrenagem econômica moderna, mas ele se torna insustentável quando o crédito substitui a renda e o consumo deixa de ser motor de crescimento para se tornar uma fonte de desequilíbrio social. O recorde revelado pela CNC é mais que uma estatística: é um retrato da vulnerabilidade das famílias brasileiras e um lembrete de que o desenvolvimento econômico só é sólido quando vem acompanhado de estabilidade financeira para quem o sustenta — o consumidor.

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