A pesquisa nacional realizada pelo Instituto de Planejamento Estratégico (Ibespe) revela um dado incontornável: sete em cada dez brasileiros defendem que facções criminosas sejam classificadas como grupos terroristas. O apoio expressivo — 72,8% dos entrevistados — não surge por acaso. Ele reflete o clima de insegurança que se espalha pelo país à medida que o crime organizado amplia seu poder, sua infiltração nas instituições e sua capacidade de gerar medo.
A proposta, que até poucos anos atrás pareceria radical, hoje encontra eco na população que convive diariamente com notícias de chacinas, extorsões, ataques coordenados, domínio territorial e uma violência cada vez mais sofisticada. O crime organizado deixou de ser um fenômeno restrito a disputas internas para se transformar em uma força nacional com ramificações internacionais, utilizando tecnologia, comunicação criptografada, drones e redes de lavagem de dinheiro.
Por isso, cresce a ideia de equiparar facções a grupos terroristas: não apenas por simbolismo, mas pela possibilidade de endurecer punições, ampliar investigações, restringir benefícios penais e envolver estruturas federais e internacionais no enfrentamento dessas organizações.
Contudo, o editorial precisa ir além da sensação coletiva de alívio que a medida promete. Classificar facções como terroristas não resolverá, por si só, o problema estrutural da segurança pública no Brasil.
A pesquisa mostra, sim, um país cansado, exausto, descrente da capacidade do Estado de reagir. Mas também mostra um desejo claro de mudança — uma cobrança para que o Estado recupere o protagonismo perdido no controle da violência.
O Brasil não pode normalizar o terror cotidiano imposto por facções. Mas tampouco pode cair na ilusão de que uma nova classificação jurídica, sozinha, dará conta de um problema que se enraizou nas brechas do poder público e na ausência de políticas de longo prazo.
Entre o endurecimento necessário e o populismo penal fácil, existe um caminho que exige coragem, técnica e planejamento — exatamente o que tem faltado ao país há décadas.
O que a pesquisa revela não é apenas opinião.
É um pedido de socorro.