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Consignados

Data da Publicação:

27/11/2025

O crescimento vertiginoso do mercado de empréstimos consignados vinculados ao INSS revela uma realidade que vai além dos números: expõe a fragilidade de milhões de aposentados diante de um sistema que deveria protegê-los, e não explorá-los. Nos últimos cinco anos, esse setor movimentou R$ 466 bilhões — um salto que contrasta com a enxurrada de denúncias de fraudes, vendas agressivas e cobranças irregulares identificadas por órgãos de fiscalização e pela Justiça.
Segundo levantamento do portal Metrópoles, com dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação, 87 instituições financeiras mantêm ou mantiveram acordos com o INSS desde 2020. No início da série histórica, o consignado girava aproximadamente R$ 4 bilhões ao mês. Durante a pandemia — período marcado por incertezas, renda comprimida e endividamento crescente — esse volume quase dobrou, atingindo R$ 9 bilhões mensais. A projeção é de que 2024 encerre com um patamar recorde de R$ 100,8 bilhões.
O que poderia ser uma ferramenta legítima de acesso ao crédito transformou-se, em muitos casos, em armadilha. A facilidade da contratação — muitas vezes feita sem o consentimento claro do beneficiário — alimentou práticas abusivas. O aposentado, alvo preferencial de telemarketing invasivo, acabou convertido em moeda de alto valor para instituições com apetite financeiro cada vez maior.
É inegável que o consignado tem papel econômico relevante: pode aliviar emergências, reorganizar finanças e movimentar o consumo. Mas quando esse mercado cresce de forma tão acelerada ao mesmo tempo em que se multiplicam denúncias de golpes e irregularidades, é sinal de que algo está profundamente desequilibrado.
É urgente reforçar o controle público, aprimorar a fiscalização e endurecer as punições para quem se beneficia de práticas fraudulentas. Mais que números, estamos falando de pessoas que dedicaram décadas ao trabalho e que merecem respeito e segurança financeira. Proteger os aposentados é proteger nossa história — e garantir que o futuro não seja um fardo injusto para quem já fez a sua parte.

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