Poços de Caldas, MG – A Polícia Militar e a Polícia Civil de Minas Gerais apuram todos os detalhes do homicídio ocorrido na manhã desta segunda-feira (1º de dezembro) na Rua das Torres, bairro Terras de Santo Antônio, zona rural de Caldas. A guarnição do 1º GP do 3º Pelotão da 163ª Companhia foi acionada via Copom após o Samu solicitar apoio para atender uma ocorrência envolvendo disparos de arma de fogo, na qual uma mulher teria efetuado dois tiros contra seu companheiro.
Quando os militares chegaram ao local, outras guarnições já estavam presentes e foram informados pela médica do Samu que a equipe havia constatado o óbito da vítima, identificada como João Felipe Lopes Gimenes, de 30 anos. A residência apresentava sinais de depredação, vidros quebrados e marcas de chutes no portão, sugerindo um conflito anterior. A área foi isolada e a perícia técnica, conduzida pelo perito, recolheu dois estojos deflagrados e o aparelho celular da vítima.
A principal testemunha relatou que havia chegado à propriedade pelos fundos para realizar manutenção quando João Felipe entrou logo depois, também pelos fundos, bastante nervoso, gritando e procurando pela companheira, Celma Aves Ferreira, de 54 anos, a quem ameaçava de morte. Minutos depois, Celma chegou ao local e pediu que o trabalhador alimentasse os cães. Em seguida, teve início um atrito verbal entre o casal, separados por uma grade. Posicionada em um ponto mais alto, a autora teria efetuado dois disparos com uma pistola calibre .38, atingindo o companheiro na base do crânio. A morte foi confirmada ainda no local pelo Samu.
A testemunha informou que Celma disse que acionaria o Samu e a Polícia Militar, porém fugiu logo depois do crime, afirmando que se apresentaria posteriormente à Polícia Civil. Vizinhos relataram à PM um histórico de brigas e desavenças entre o casal, incluindo registros policiais anteriores em que a vítima teria ameaçado a autora.
Durante as diligências, a autora apresentou sua versão. Disse que a arma utilizada estava registrada e havia sido entregue ao seu defensor legal, que a levaria até a delegacia. Afirmou ainda que João Felipe fazia uso de medicamentos controlados e álcool e a ameaçava devido a um processo de inventário no qual exigia valores. Relatou que o relacionamento durava cerca de um ano e meio, marcado por idas e vindas, e que, devido à agressividade do companheiro, ela instalou uma barraca na área externa para que ele dormisse separado.
Celma também contou que, no dia anterior ao crime, João Felipe teria iniciado agressões, apedrejado a residência e danificado o portão de entrada, fato registrado pela Polícia Militar. Em buscas no local, os militares encontraram na barraca onde o homem supostamente pernoitava uma porção de maconha e papéis de seda, que foram apreendidos e serão encaminhados à Polícia Civil. Outro registro de ameaça, relacionado ao casal, também foi localizado no sistema.
Após os trabalhos periciais, o corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal. A telefonista do Samu confirmou que o pedido de socorro havia sido feito pela própria autora, que posteriormente solicitou apoio da Polícia Militar. As equipes de investigação da Delegacia Rural, coordenadas pelo delegado Dr. Hernane, estiveram no local para iniciar imediatamente as apurações.
Durante a confecção do registro policial, a delegada Dra. Juliane informou ao Sargento Danilo que a arma utilizada no crime, uma pistola Taurus G2C calibre .38 TPC, série AGB008396, havia sido entregue pelo defensor.
Posteriormente, Celma apresentou-se espontaneamente à Delegacia de Polícia Civil, confessou o crime e teve a arma apreendida formalmente. Como não havia hipótese de flagrante, ela foi liberada após prestar esclarecimentos. A Polícia Civil instaurou inquérito e continua realizando diligências para esclarecer completamente as circunstâncias e motivações do homicídio. Novas informações serão divulgadas conforme o andamento das investigações.