Entre as nações com as maiores taxas de juros reais do mundo em 2025, o Brasil segue firme no topo — e não por mérito positivo. Mesmo após a revisão da projeção de juros reais para os próximos 12 meses, que caiu de 9,74% para 9,44% ao ano, o país ainda ocupa a segunda posição global, atrás apenas da Turquia. Esse dado, levantado pelo economista-chefe Jason Vieira, da consultoria Lev DTVM, revela uma realidade que teima em acompanhar a economia brasileira: o custo de capital permanece entre os mais elevados do planeta.
A decisão do Copom, nesta quarta-feira (10), de manter a Selic em 15% ao ano, reforça esse quadro. Embora a política monetária tenha como objetivo principal controlar a inflação, seus efeitos colaterais atingem em cheio o investimento produtivo, o consumo das famílias e, em última instância, o ritmo de crescimento do país. Enquanto isso, outras economias emergentes, como Rússia (7,89%) e Argentina (7,14%), já exibem juros reais menores.
No Brasil, contudo, os juros altos continuam sendo um entrave estrutural. Eles afastam investidores, encarecem financiamentos e mantêm famílias e empresas em permanente estado de cautela. Pior: alimentam uma espécie de círculo vicioso, no qual o receio de inflação futura justifica a manutenção de taxas elevadas, que por sua vez reduzem o crescimento e tornam o combate à inflação mais lento.
O país precisa romper essa lógica. Uma trajetória sustentável de queda de juros exige responsabilidade fiscal, previsibilidade nas políticas públicas e avanços estruturais que diminuam ineficiências históricas — do sistema tributário à competitividade industrial. Sem isso, continuaremos liderando rankings que não nos orgulham, enquanto nações mais preparadas pavimentam caminhos de desenvolvimento mais barato, mais dinâmico e mais inclusivo.
A economia brasileira tem potencial, mas precisa deixar para trás velhos obstáculos. Juros reais tão altos por tanto tempo não são sinal de força, mas de fragilidade.