O novo recorde da inadimplência empresarial no Brasil acende um sinal de alerta que vai muito além dos números frios das estatísticas. Em setembro de 2025, o país chegou a 8,4 milhões de CNPJs negativados, o maior patamar já registrado para um único mês. Mais grave ainda é o volume das dívidas, que já ultrapassa a marca de R$ 200 bilhões, segundo levantamento da Serasa Experian. Trata-se de um retrato claro das dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo em um ambiente econômico cada vez mais hostil.
O diagnóstico apresentado pela economista-chefe da Serasa, Camila Abdelmalack, é preciso: juros elevados e desaceleração do crédito no segundo semestre criaram um cenário de estrangulamento financeiro para as empresas. O custo do dinheiro segue alto, o acesso ao crédito ficou mais restrito e, ao mesmo tempo, os negócios enfrentam redução de receitas e pressão contínua sobre os custos. A combinação é explosiva, especialmente para quem tem menor capacidade de absorver choques.
Não por acaso, a inadimplência atinge majoritariamente micro, pequenas e médias empresas, que somam 7,95 milhões dos CNPJs negativados. Dentro desse grupo, os microempreendedores individuais representam 20%, evidenciando que a base da economia — responsável pela maior parte dos empregos formais do país — é também a mais vulnerável.
Esse quadro traz impactos diretos para a economia como um todo. Empresas endividadas investem menos, contratam menos e, muitas vezes, acabam fechando as portas.
Diante desse cenário, é urgente repensar políticas de estímulo ao crédito produtivo, especialmente para micro e pequenos negócios. Medidas que ampliem o acesso a linhas com juros mais baixos, programas de renegociação de dívidas e maior previsibilidade econômica são fundamentais para evitar que a inadimplência recorde se transforme em uma onda de falências. Sustentar quem produz, gera empregos e movimenta a economia não é apenas uma escolha social — é uma necessidade econômica.