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Primeira tela

Data da Publicação:

17/12/2025

O acesso à internet na primeira infância no Brasil mais que dobrou em menos de uma década. Saltou de 11%, em 2015, para 23% em 2024, alcançando números que chamam a atenção — e acendem um alerta. Quase metade dos bebês de até dois anos já tem contato com a rede, enquanto entre crianças de três a cinco anos o índice chega a 71%. Os dados, reunidos no estudo Proteção à primeira infância entre telas e mídias digitais, do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), revelam uma realidade que avança mais rápido do que a capacidade da sociedade de compreendê-la e regulá-la.
O crescimento do acesso reflete transformações profundas no cotidiano das famílias, na popularização de celulares e tablets e na própria dinâmica de cuidado infantil. As telas passaram a ocupar um espaço cada vez maior como entretenimento, distração e até apoio para pais e responsáveis em rotinas cada vez mais aceleradas.
No entanto, quando esse contato ocorre sem critérios claros, acompanhamento e limites, os riscos superam os benefícios.
A ciência é clara ao apontar os cuidados necessários. A Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda o uso de telas para crianças menores de dois anos. Para a faixa etária entre dois e cinco anos, a orientação é de no máximo uma hora diária, sempre com a supervisão de um adulto. Essas recomendações não são arbitrárias: estão ancoradas em evidências sobre o desenvolvimento cerebral, a linguagem, a socialização, o sono e a saúde emocional das crianças.
Diante desse cenário, o desafio não é demonizar a tecnologia, mas usá-la com responsabilidade. A internet pode ser ferramenta educativa e de inclusão, desde que inserida em um contexto de mediação ativa, conteúdos adequados e limites bem definidos. Cabe às famílias, às escolas e ao poder público compartilhar essa responsabilidade, investindo em informação, orientação e políticas de apoio à primeira infância.
Garantir um começo de vida saudável exige mais do que acesso à tecnologia. Exige cuidado, presença e escolhas conscientes. Proteger a infância, em um mundo cada vez mais digital, é assegurar que o desenvolvimento humano venha antes do brilho das telas.

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