Os dados mais recentes do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais revelam um retrato claro — e preocupante — da concentração da riqueza no estado. Em 2023, apenas 25 dos 853 municípios mineiros foram responsáveis por 53,8% de todo o PIB estadual, que alcançou R$ 972 bilhões, equivalente a 8,9% do PIB nacional, garantindo a Minas a terceira maior participação entre as unidades da federação.
A força econômica mineira continua ancorada em poucos polos. Belo Horizonte e Betim figuram entre os 25 municípios com maior participação no PIB do Brasil, reforçando o peso da Região Metropolitana da capital na geração de riqueza. Belo Horizonte, inclusive, aparece como o 5º município que mais ganhou participação no PIB nacional, evidenciando sua relevância crescente no cenário econômico do país.
Por outro lado, os números também expõem perdas significativas. Ipatinga, Uberaba e Guaxupé estão entre os 25 municípios brasileiros que mais perderam participação no PIB nacional, sinalizando dificuldades estruturais, desafios setoriais e a necessidade de novas estratégias de desenvolvimento regional.
Quando o recorte é o PIB per capita, o cenário é ambíguo. Apesar do crescimento em relação ao ano anterior, Minas Gerais segue abaixo da média nacional, o que indica que a geração de riqueza nem sempre se traduz em melhoria proporcional da renda média da população. Ainda assim, há exceções relevantes: Extrema se destacou entre os dez maiores PIB per capita do país, e outros sete municípios mineiros figuraram entre os 100 maiores, reflexo de forte presença industrial, logística eficiente e atração de investimentos.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Betim e Nova Lima, ambos na Região Metropolitana de Belo Horizonte, apresentaram os maiores PIB per capita do estado, reforçando a concentração econômica em áreas já estruturadas e com melhor infraestrutura.
Em contrapartida, a distribuição espacial do PIB per capita escancara desigualdades históricas. O Norte de Minas concentra os menores valores do indicador, evidenciando um abismo regional que persiste ao longo das décadas. Trata-se de uma realidade que exige políticas públicas mais eficazes, capazes de estimular investimentos, diversificar atividades econômicas e ampliar oportunidades fora dos grandes centros.
Os números do PIB mineiro mostram força, mas também revelam limites. Crescer é essencial, mas desconcentrar o desenvolvimento é urgente.