A venda de motocicletas no Brasil alcançou, em 2025, o maior patamar desde 2003. Foram mais de 2,19 milhões de unidades comercializadas, um crescimento expressivo de 17,1% em relação a 2024.
O avanço das motocicletas reflete, sobretudo, a busca por alternativas à mobilidade urbana tradicional. Congestionamentos, transporte público sobrecarregado e custos crescentes do automóvel têm levado milhares de pessoas a optar pelas duas rodas como solução mais ágil e acessível. Soma-se a isso o uso profissional, especialmente em serviços de entrega, que se consolidaram como parte estrutural da economia urbana nos últimos anos.
Do ponto de vista industrial, os números também impressionam. A produção nacional se aproximou de 2 milhões de unidades em 2025, o melhor resultado desde 2011 e o terceiro maior da história do setor. Isso demonstra a força do Polo Industrial de Manaus e a capacidade da indústria motociclística de responder rapidamente à demanda do mercado, gerando empregos, renda e arrecadação.
As projeções para 2026 indicam continuidade desse ciclo de crescimento, ainda que em ritmo mais moderado. A expectativa de 2,3 milhões de motocicletas vendidas reforça que a tendência não é passageira, mas estrutural. No entanto, o avanço das duas rodas traz consigo desafios que não podem ser ignorados.
Mais motocicletas nas ruas significam também maior responsabilidade do poder público e da sociedade. Segurança no trânsito, infraestrutura adequada, educação de condutores e fiscalização eficiente tornam-se ainda mais urgentes. O aumento da frota não pode caminhar lado a lado com o crescimento dos acidentes e das estatísticas de vítimas no trânsito — um problema que já se impõe como questão de saúde pública em muitas regiões.
O recorde de vendas de motocicletas em 2025 é, portanto, um retrato de um país que se adapta, busca eficiência e cria oportunidades. Mas é também um alerta: crescer é positivo, desde que venha acompanhado de planejamento, políticas públicas e compromisso e não de risco.