Os números divulgados pelo Banco Central soam como um alerta que vai além das planilhas e relatórios técnicos. O setor público consolidado — que reúne União, Estados, municípios e empresas estatais — fechou 2025 com déficit primário superior a R$ 55 bilhões, o equivalente a 0,43% do PIB brasileiro.
O resultado negativo foi pior que o de 2024, quando o déficit somou R$ 47,5 bilhões (0,4% do PIB). É verdade que dezembro trouxe um respiro, com superávit de R$ 6,25 bilhões, mas o saldo anual deixa claro que o país segue gastando mais do que arrecada — uma equação que, mais cedo ou mais tarde, cobra seu preço.
Para cidades como Poços de Caldas, esse cenário não é apenas um dado distante de Brasília. Ele chega, de forma direta, ao cotidiano da população. Menos equilíbrio fiscal no plano federal significa maior dificuldade para manter repasses, executar obras, ampliar investimentos em saúde, educação e infraestrutura, além de pressionar Estados e municípios a assumirem responsabilidades sem o devido suporte financeiro.
O risco é claro: quando o governo central aperta os cintos ou muda regras de transferência, os municípios sentem primeiro. Projetos são adiados, convênios ficam mais lentos, e a margem de manobra das prefeituras se estreita. Em cidades que dependem de recursos federais para obras estruturantes e políticas sociais, cada ponto percentual do PIB faz diferença real nas ruas.
O debate sobre responsabilidade fiscal, portanto, não pode ser tratado como um tema abstrato ou ideológico. Trata-se de garantir previsibilidade, estabilidade e capacidade de planejamento para quem está mais próximo do cidadão: o poder local.
Poços de Caldas, assim como centenas de municípios brasileiros, precisa de um ambiente econômico estável para seguir investindo, gerando empregos e mantendo serviços públicos de qualidade. Isso exige do país um esforço coletivo para alinhar gastos, receitas e prioridades.