Poços de Caldas volta ao centro das atenções nacionais com o avanço de projetos para a exploração de terras raras em sua região. Tratam-se de minerais estratégicos, essenciais para a indústria de alta tecnologia, utilizados na fabricação de baterias, turbinas eólicas, painéis solares, celulares, veículos elétricos e equipamentos militares.
À primeira vista, a exploração parece sinônimo de progresso, geração de empregos e aumento da arrecadação. Mas por trás desse discurso há uma verdade incômoda: mineração tem data de validade. O minério acaba. O passivo ambiental, não.
A extração de terras raras não é uma atividade comum. Ela exige processos químicos agressivos, consome grandes volumes de água e pode gerar rejeitos altamente contaminantes. Em outras regiões do mundo, esse tipo de mineração já deixou rios envenenados, solo improdutivo e comunidades deslocadas.
Em Poços de Caldas, onde nascentes, áreas de recarga hídrica e fragmentos de Mata Atlântica convivem com zonas urbanas, o risco se torna ainda maior. O que hoje é visto como oportunidade econômica pode se transformar em um legado tóxico para as próximas gerações.
O ciclo da mineração é curto quando comparado ao tempo de regeneração da natureza. Em poucos anos ou décadas, a jazida se esgota. O que fica é um território marcado por crateras, barragens de rejeitos e áreas inviáveis para agricultura, turismo ou moradia.
A pergunta que precisa ser feita é direta:
O que acontecerá com Poços de Caldas quando o minério acabar?
Historicamente, o custo ambiental da mineração recai sobre a população: aumento de doenças, perda de recursos naturais, desvalorização imobiliária e sobrecarga nos serviços públicos. Enquanto isso, os lucros seguem para fora, deixando na cidade apenas os impactos.
Não se trata de negar o desenvolvimento, mas de questionar qual modelo de desenvolvimento queremos. Um crescimento rápido, finito e destrutivo? Ou uma economia que preserve o território, gere renda contínua e respeite o meio ambiente?