Poços de Caldas, MG – Cerca de vinte moradores da Zona Sul de Poços de Caldas reuniram-se na última quarta-feira (04/02) para debater os impactos ambientais, sociais e econômicos do projeto de mineração de terras raras na região. O sentimento predominante foi de desinformação e abandono por parte do poder público, com os presentes afirmando se sentir “os maiores impactados” por uma atividade sobre a qual têm poucas respostas.
Durante o encontro, os cidadãos apresentaram uma lista detalhada de preocupações que, em sua avaliação, não foram suficientemente esclarecidas. Além dos receios mais citados – como risco ao abastecimento de água, danos à fauna e flora, geração de poeira, poluição do ar, alteração radical da paisagem, aumento do tráfego de veículos pesados, sobrecarga no sistema de saúde pública e desvalorização imobiliária –, um ponto central gerou forte inquietação: a escala inédita do projeto. Os moradores enfatizaram um receio profundo: um projeto de mineração de terras raras nesta escala jamais foi realizado no mundo com tais proporções. Essa falta de precedentes concretos multiplica a incerteza sobre os impactos reais, um sentimento cristalizado na declaração de uma moradora: “Tememos ser cobaias”
A queixa de que “a informação não está chegando até nós” foi unânime entre os participantes. Eles criticaram a ausência de um posicionamento formal e de um canal direto de comunicação com a prefeitura, que ainda não se manifestou publicamente de forma clara aos moradores da área mais diretamente afetada.
Diante do vácuo informacional, a comunidade decidiu agir por conta própria. Do debate, nasceu um grupo de estudos composto pelos próprios moradores, com a missão de investigar a fundo o tema, pesquisar os reais efeitos da mineração de terras raras e mobilizar o bairro. O coletivo planeja buscar dados técnicos independentes, compreender as etapas do licenciamento ambiental e se organizar para garantir transparência no processo e mitigar eventuais danos.
Os organizadores do movimento defendem que a questão ultrapasse a esfera técnica e empresarial e seja tratada como uma questão de direito à informação e de participação popular decisiva para o futuro da cidade, especialmente para os residentes da Zona Sul.