11:13 - Sexta-Feira, 27 de Março de 2026

-

11:13 - Sexta-Feira, 27 de Março de 2026
foto-endividamento-editorial-09-02-2026

Endividamento recorde

Data da Publicação:

09/02/2026

O Brasil iniciou 2026 com um dado que merece reflexão profunda. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 79,5% das famílias brasileiras estavam endividadas em janeiro, igualando o maior patamar da série histórica, registrado em outubro do ano passado.
O número impressiona. Em dezembro, o índice era de 78,9%. Em janeiro de 2025, estava em 76,1%. A trajetória revela um crescimento consistente do comprometimento da renda familiar com dívidas como cartão de crédito, financiamentos e carnês.
É importante destacar: estar endividado não é, necessariamente, estar inadimplente. A própria pesquisa mostra um dado positivo — a inadimplência caiu pelo terceiro mês consecutivo, indicando que, apesar do alto nível de endividamento, parte das famílias tem conseguido reorganizar suas finanças e manter os pagamentos em dia.
O dado mais preocupante está no recorte por renda. Entre as famílias que ganham até três salários mínimos, o índice de endividamento chega a 82,5%. Ou seja, oito em cada dez lares de baixa renda estão comprometidos com algum tipo de dívida.
Quando o cartão de crédito deixa de ser instrumento de planejamento e passa a ser extensão do salário, o risco estrutural aumenta.
O alto endividamento pode, por um lado, refletir manutenção do consumo e confiança na capacidade de pagamento. Por outro, pode indicar que o orçamento está operando no limite.
A queda recente da inadimplência sugere algum alívio — possivelmente fruto de renegociações, feirões de dívidas e maior disciplina financeira. Mas o patamar elevado de endividamento continua sendo um sinal amarelo para a economia.
O Brasil convive historicamente com juros elevados, crédito caro e educação financeira ainda insuficiente. Enquanto isso, famílias de menor renda enfrentam despesas essenciais cada vez mais pesadas: alimentação, aluguel, energia, transporte.
O Brasil começa o ano com famílias mais comprometidas financeiramente do que nunca.

Leia Também

foto-editorial-corrupcao-26-03-2026

Corrupção

26/03/2026

A corrupção voltou a ocupar o centro das atenções dos brasileiros. Segundo levantamento da AtlasIntel/Bloomberg, 59,9% da população apontam o problema como o principal do país — um salto significativo

foto-confianca-editorial-25-03-2026

Credibilidade

25/03/2026

Em um cenário de crescente desconfiança institucional no Brasil, um dado chama a atenção: empresas e empregadores passam a ocupar o topo da confiança da população, superando governo, mídia e

foto-contas-atraso-editorial-24-03-2026

O peso dos devedores

24/03/2026

O avanço da inadimplência no Brasil para um patamar recorde acende um alerta que vai muito além dos números. Quando o país chega à marca de 81,7 milhões de CPFs

foto-jovem-editorial-23-03-2026

Jovem e a política

23/03/2026

O aumento da participação de eleitores de 16 e 17 anos nas eleições é uma boa notícia para a democracia. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram um crescimento expressivo

foto-agua-editorial-21-03-2026

Água é vida

21/03/2026

Celebrado em 22 de março, o Dia Mundial da Água é mais do que uma data simbólica no calendário internacional. Criado pela Organização das Nações Unidas em 1993, o momento

foto-editorial-juros-19-03-2026

Sobreviver aos juros altos

19/03/2026

O Brasil volta a figurar entre os países com os maiores juros reais do mundo. Com taxa de 9,51% ao ano — atrás apenas da Turquia, segundo levantamento internacional —

Login de Assinante

Ainda não é assinante?

Ao se tornar assinante, você ganha acesso a matérias e análises especiais que só nossos assinantes podem ler. Assine agora e aproveite todas essas vantagens!