Poços de Caldas vive, neste momento, uma escolha estratégica que vai além da folia: qual identidade quer consolidar para o seu Carnaval?
Durante anos, muitas cidades apostaram no modelo concentrado — um grande palco, uma atração nacional, milhares de pessoas reunidas em um único ponto. É o formato do espetáculo, da superprodução, da estrela que arrasta multidões.
Mas Poços parece ter feito outro caminho.
O modelo atual, com blocos espalhados pela cidade, vários pontos com shows e uma programação descentralizada, claramente conversa com o gosto popular. E os números nas ruas falam por si: a participação neste ano pode ser considerada um sucesso. A presença maciça do público mostra que a cidade encontrou um formato que funciona — e que aproxima.
Blocos, charangas, bandas regionais e artistas locais ajudam a construir um Carnaval com sotaque próprio. Não é uma cópia de Salvador, nem do Rio. É Poços sendo Poços.
Claro, há quem defenda grandes shows nacionais. Eles têm apelo midiático, atraem turistas e geram visibilidade instantânea. Mas também concentram custos elevados e criam dependência de atrações externas.
A pergunta central não é qual modelo é “melhor”.
É qual modelo fortalece a identidade da cidade a médio e longo prazo.
O que se viu nas ruas este ano foi um Carnaval acessível, distribuído e participativo. Famílias, jovens, idosos. Blocos cheios. Praças ocupadas. Vários polos funcionando simultaneamente.
Isso indica que o formato caiu no gosto popular.
E talvez esse seja o ponto-chave: quando o público se reconhece na festa, ele comparece.
Carnaval não é apenas entretenimento. É política cultural. É decisão sobre onde investir, que artistas valorizar, que imagem projetar da cidade.
Se o sucesso de público se confirmar, Poços pode estar consolidando um modelo próprio: híbrido, descentralizado e plural.