O anúncio de que o Instagram passará a notificar pais caso adolescentes realizem buscas repetidas por termos relacionados a suicídio ou automutilação reacende um debate necessário: qual é o papel das redes sociais na proteção da saúde mental dos jovens?
A medida, segundo a plataforma, será aplicada a pais que optarem por aderir à configuração de supervisão. Trata-se, portanto, de um instrumento adicional de acompanhamento, que pode representar um alerta precoce diante de comportamentos que, muitas vezes, passam despercebidos no ambiente familiar.
Em Poços de Caldas, profissionais da educação e da saúde têm observado, com preocupação, o aumento de ocorrências envolvendo sofrimento emocional entre adolescentes. Casos de ansiedade, depressão e comportamentos autolesivos têm sido cada vez mais relatados por escolas e serviços de apoio. É um cenário que exige atenção coletiva e estratégias múltiplas.
A tecnologia, quando bem utilizada, pode ser aliada. A notificação aos pais não substitui o diálogo, mas pode abrir portas para conversas necessárias. Muitas vezes, o ambiente digital é o primeiro espaço onde o jovem manifesta, ainda que de forma indireta, sinais de angústia. Ignorar isso seria fechar os olhos para uma realidade concreta.
Também é preciso lembrar que a responsabilidade não é apenas dos pais. Escolas, poder público, profissionais de saúde e as próprias plataformas digitais devem atuar de forma integrada.
Mais do que monitorar, é preciso escutar. Mais do que notificar, é preciso acolher. A prevenção começa na informação, mas só se consolida no diálogo e no cuidado permanente.