Poços de Caldas, MG – No dia 5 de janeiro, após um acidente com churrasqueira, Yarrisson Felipe Magalhães, de 20 anos, deu entrada na Santa Casa de Poços de Caldas, transferido de Varginha, com 35% do corpo queimado. Em estado grave, ele precisou de cuidados intensivos imediatos. Nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, após 53 dias de internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Yarrisson recebeu alta para a enfermaria, em um momento marcado por emoção e gratidão.
No momento da alta, a equipe multidisciplinar da UTI fez um corredor de aplausos para Yarrisson que, ao lado da mãe, não conteve o choro. O enfermeiro coordenador da UTI, Jean Carlos, relembra a gravidade do quadro na admissão.
“O Yarrisson veio proveniente da cidade de Varginha após um acidente ao acender uma churrasqueira. Ele queimou 35% da superfície corporal, com comprometimento importante das vias aéreas. Chegou bastante grave, debilitado, precisou ser entubado e permanecer sob cuidados intensivos. Hoje, completando 53 dias de internação, ele recebe alta da UTI para a enfermaria, pois já não necessita mais de cuidados intensivos”, explica Jean.
“Para toda a equipe, é uma grande felicidade acompanhar essa evolução. Ele está acompanhado da mãe, que também ficou muito emocionada. Após uma internação prolongada, esse momento representa alegria e esperança. Desejamos boas energias e uma excelente recuperação nessa nova fase do tratamento”, completa o enfermeiro.
Durante todo o período de internação, o acompanhamento psicológico foi fundamental tanto para o paciente quanto para os familiares. A psicóloga Roberta Figueiredo, que atende os pacientes da UTI/ Centro de Queimados, explica que o suporte começou ainda nos primeiros dias.
“Foram muitos dias de internação. No início, como ele estava bastante grave e entubado, realizei o acompanhamento dos familiares. Como a família é de Três Corações, havia grande dificuldade para visitas frequentes, então organizamos conferências para acolher e aproximar os familiares. Eles estavam muito sensibilizados pelo acidente” revela Roberta.
Com a evolução clínica, após cirurgias plásticas e demais tratamentos, Yarrisson precisou realizar uma traqueostomia, pois ainda necessitava de suporte respiratório — parte do pulmão foi bastante prejudicado. A partir daí, a psicóloga consegui intensificar o acompanhamento com ele.
“No começo, ele estava mais resistente, o que é comum em pacientes grandes queimados, devido ao sofrimento físico e ao trauma da situação. Mas, ao longo do processo, construímos um vínculo significativo, que contribuiu muito para sua evolução. Ele sempre demonstrou clareza sobre o que havia acontecido e sobre a necessidade de um tratamento prolongado. Trabalhamos o fortalecimento emocional durante toda a internação. Conseguimos também a possibilidade de um familiar acompanhá-lo na UTI, o que foi essencial nesse enfrentamento. Agora, com a alta para a enfermaria, ele está mais fortalecido e com boas estratégias para lidar com essa nova etapa. A expectativa é que, em breve, ele possa retornar para casa”, finaliza Roberta.