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Sem fôlego

Data da Publicação:

02/03/2026

Os números mais recentes da atividade turística em Minas Gerais acendem um sinal de atenção importante para o setor. De acordo com análise do Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG, com dados do IBGE, dezembro de 2025 registrou retração de -1,6% em comparação com novembro — a primeira queda após três meses consecutivos de crescimento.
O dado, isoladamente, poderia ser interpretado como um ajuste pontual. No entanto, o cenário se torna mais preocupante quando analisado em perspectiva. No acumulado de 2025, Minas apresentou retração de -4,4% na atividade turística, enquanto o Brasil registrou expansão de 4,6% no mesmo período. A diferença não é pequena — e revela que o estado perdeu ritmo justamente em um setor estratégico para a economia.
A comparação anual reforça essa perda de fôlego: dezembro de 2025 apresentou queda de -8,9% frente ao mesmo mês de 2024, ano em que o estado havia registrado crescimento expressivo.
A economista Fernanda Gonçalves, da Fecomércio, aponta um aspecto técnico relevante: quando há uma base de comparação elevada — como foi 2024 — manter o mesmo patamar exige crescimento superior ao do ano anterior. Ou seja, não basta repetir o desempenho, é preciso superá-lo para sustentar a curva de expansão. Sem esse impulso adicional, a tendência natural é a acomodação ou retração.
Para cidades turísticas como Poços de Caldas, esse cenário exige reflexão estratégica. O município vem demonstrando capacidade de atrair eventos, fortalecer o calendário cultural e movimentar a economia local — como foi visto recentemente em grandes eventos e datas comemorativas. No entanto, a conjuntura macroeconômica impõe desafios adicionais.
O turismo não se sustenta apenas pela vocação natural ou pela tradição. Ele depende de investimento contínuo, qualificação da oferta, promoção inteligente do destino e políticas públicas integradas que ampliem a competitividade.
Minas Gerais construiu ao longo dos anos uma identidade turística sólida, baseada em cultura, gastronomia, patrimônio histórico e hospitalidade. O momento agora é de ajustes e reposicionamento para evitar que a desaceleração se transforme em tendência prolongada.

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