Os resultados das empresas estatais federais acendem um sinal de alerta para o país. Levantamento baseado em dados do Tribunal de Contas da União aponta que as companhias não dependentes acumularam déficit primário de R$ 18,48 bilhões entre janeiro de 2023 e maio de 2026. O cenário interrompe uma sequência de resultados positivos e exige explicações claras do governo.
Em 2025, quatro empresas — Empresa Gerencial de Projetos Navais, Correios, Empresa Gestora de Ativos e Infraero — concentraram aproximadamente 95% do déficit registrado pelo conjunto analisado. A elevada concentração indica que os problemas podem ser enfrentados com medidas específicas, desde que haja disposição política, planejamento e rigor administrativo.
É importante esclarecer que déficit primário não significa necessariamente prejuízo contábil. Esse indicador mede a diferença entre receitas e despesas primárias e o impacto das operações das estatais nas contas públicas. Algumas companhias podem registrar déficit em razão da execução de investimentos planejados ou do uso de recursos acumulados anteriormente. Ainda assim, resultados negativos persistentes não podem ser tratados como algo normal ou irrelevante.
As empresas estatais desempenham funções estratégicas e, em determinados setores, atendem a interesses públicos que não podem ser avaliados exclusivamente pela lógica do lucro. Isso, porém, não quer dizer que eles podem ser administradas sem critério técnico. O que podemos avaliar é que em muitos casos, os déficits, são por falta de eficiência administrativa.