Poços de Caldas, MG – Celebrado em 25 de julho, o Dia do Motorista presta homenagem aos milhões de profissionais que fazem do volante sua profissão e que desempenham papel indispensável para o funcionamento da economia, da mobilidade urbana e da prestação de serviços essenciais. A data, tradicionalmente associada a São Cristóvão, padroeiro dos motoristas e viajantes, também se tornou um momento de reflexão sobre segurança no trânsito, valorização profissional e os desafios enfrentados diariamente por quem percorre milhares de quilômetros transportando pessoas, mercadorias e sonhos.
Muito além da direção de um veículo, a profissão exige responsabilidade, equilíbrio emocional, atenção permanente, preparo técnico e capacidade de tomar decisões em frações de segundo. Caminhoneiros, motoristas de ônibus, taxistas, condutores por aplicativos, motoristas escolares, socorristas, profissionais de ambulâncias e servidores das forças de segurança compartilham uma rotina marcada por longas jornadas, cumprimento rigoroso de horários, trânsito intenso e a missão de preservar vidas.
Mulheres no transporte urbano de Poços
Em Poços de Caldas, uma empresa simboliza bem essa realidade. A Auto Omnibus Floramar, responsável pelo transporte coletivo urbano do município, conta atualmente com mais de duzentos motoristas em seu quadro operacional. Deste total, 25 são mulheres, número considerado expressivo para um segmento que historicamente foi ocupado quase exclusivamente por homens.
Embora ainda represente pouco mais de 10% do efetivo da empresa, a presença feminina vem crescendo gradativamente e demonstra uma mudança de perfil no mercado de trabalho.
Segundo representantes da empresa, as motoristas atuam em todas as categorias de operação da empresa, sem distinção de linhas ou horários. Elas conduzem veículos nos períodos de maior movimento, enfrentam congestionamentos, horários de pico, condições adversas de tráfego e cumprem a mesma programação operacional destinada aos demais profissionais.
“As motoristas da empresa estão presentes em todas as categorias e desenvolvem um trabalho de excelente qualidade. Hoje enfrentam os mesmos desafios diários do trânsito, dos horários de pico e da operação do transporte coletivo. Felizmente temos resultados muito positivos com o desempenho delas”, destaca o Supervisor de Tráfego da empresa, Paulo Sérgio Felippe.
Na avaliação Paulo Sérgio, homens e mulheres desempenham exatamente as mesmas funções na operação do transporte coletivo urbano. Segundo ele, as motoristas atuam em todas as categorias de veículos da empresa, iniciando a carreira em vans e micro-ônibus e, com experiência e qualificação, passando também a conduzir os ônibus convencionais de maior porte.
“As mulheres começam dirigindo desde a van, que é o menor veículo da nossa operação, até o ônibus convencional. Elas fazem exatamente o mesmo trabalho que os homens, dirigem na região central, nos bairros e também realizam a cobrança das passagens”, afirma.
De acordo com Paulo Sérgio, o maior desafio enfrentado atualmente pelos profissionais do transporte coletivo não está relacionado ao gênero, mas às condições do trânsito urbano. As intervenções viárias em andamento e o aumento do fluxo de veículos têm dificultado o cumprimento dos horários programados das linhas.
“Hoje a maior dificuldade é o trânsito. Os congestionamentos na área central e as obras, principalmente na região da Cascatinha e na Avenida João Pinheiro, em obras, acabam trazendo impacto para a operação. Sabemos que são obras importantes para a cidade, mas, durante a execução, elas dificultam bastante o cumprimento dos horários”, explica.
Apesar das dificuldades, o gerente destaca o comprometimento da equipe e afirma que os desafios fazem parte da rotina de quem trabalha diariamente no transporte coletivo. “O dia a dia é trabalhar com dedicação. Tanto as motoristas quanto os motoristas enfrentam congestionamentos, lidam diretamente com os passageiros e precisam manter a operação funcionando da melhor forma possível. É uma atividade que exige responsabilidade, atenção e muito profissionalismo”, conclui.
“Sempre chegam novas mulheres para integrar a equipe e somar conosco. O mercado ainda oferece poucas profissionais disponíveis, mas, se houvesse mais motoristas interessadas, certamente contrataríamos um número maior. Elas demonstram competência, comprometimento e contribuem muito para a qualidade do serviço”, finaliza.
Uma profissão ainda predominantemente masculina
Apesar dos avanços conquistados pelas mulheres nas últimas décadas, o transporte profissional continua sendo uma das áreas onde a desigualdade de gênero ainda é bastante evidente.
Levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que, entre os caminhoneiros brasileiros, as mulheres representam apenas 0,5% da categoria, um dos menores índices de participação feminina entre as profissões do país.
Nos aplicativos de transporte, a realidade apresenta pequena evolução, mas continua distante do equilíbrio. Dados divulgados pela própria Uber apontam que apenas 6% dos cerca de 600 mil motoristas cadastrados na plataforma são mulheres.
Especialistas apontam diversos fatores para explicar essa baixa participação. Entre eles estão a insegurança enfrentada pelas profissionais, principalmente durante o trabalho noturno; a dificuldade de conciliar uma profissão que exige longas jornadas com a dupla jornada doméstica; além de preconceitos históricos que ainda associam determinadas atividades ao universo masculino.
Embora o cenário venha mudando gradativamente, muitas mulheres ainda relatam episódios de desconfiança por parte de passageiros, comentários preconceituosos e até piadas que reforçam estereótipos antigos, como a conhecida expressão “mulher no volante, perigo constante”.
Os números desmentem os preconceitos
Se o preconceito ainda persiste em alguns ambientes, os dados de segurança no trânsito caminham em direção oposta.
Estudos estatísticos demonstram que as mulheres costumam apresentar comportamento mais prudente ao volante. Elas se envolvem em menos acidentes graves, registram menor índice de infrações relacionadas à imprudência e representam parcela significativamente inferior entre as vítimas fatais do trânsito.
Mais de 80% das mortes em acidentes de trânsito envolvem homens, evidenciando que, de maneira geral, os condutores do sexo masculino assumem comportamentos de maior risco, como excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas e direção sob efeito de álcool.
Quando acidentes envolvendo mulheres acontecem, normalmente apresentam menor gravidade, tanto em relação aos danos materiais quanto às consequências para as vítimas.
Especialistas também destacam características frequentemente associadas às motoristas, como maior cautela, capacidade de observação, empatia e atenção aos detalhes, fatores que contribuem para uma condução mais segura.
Segurança continua sendo prioridade
Independentemente do gênero, a principal mensagem do Dia do Motorista continua sendo a preservação da vida.
O trânsito brasileiro ainda figura entre os mais violentos do mundo, tornando indispensável o respeito às normas estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Utilizar o cinto de segurança, respeitar os limites de velocidade, evitar o uso do telefone celular durante a condução, manter distância segura entre veículos, realizar revisões periódicas e jamais dirigir após consumir bebida alcoólica continuam sendo atitudes fundamentais para reduzir acidentes.
Também ganham importância a manutenção preventiva dos veículos, com inspeções frequentes em pneus, freios, iluminação, suspensão e demais equipamentos de segurança.
São Cristóvão e a tradição dos motoristas
O Dia do Motorista é comemorado em 25 de julho por coincidir com o Dia de São Cristóvão, considerado pela tradição cristã o padroeiro dos viajantes e motoristas. Em diversas cidades brasileiras são realizadas missas, bênçãos de veículos, procissões e celebrações religiosas que reúnem profissionais do transporte em agradecimento pela proteção nas estradas e no trabalho diário. Mais do que uma homenagem, a data reconhece uma categoria que mantém o país em movimento e evidencia transformações importantes no mercado, como o crescimento da participação feminina em um setor que, durante décadas, permaneceu quase exclusivamente masculino.
PAULO VITOR DE CAMPOS
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