Em um ambiente político frequentemente marcado pela polarização, pelo confronto e pela desqualificação dos adversários, é positivo constatar que a maioria dos brasileiros ainda pretende escolher o próximo presidente da República com base nos projetos apresentados. Segundo levantamento PoderData/Aya, 62% dos eleitores afirmam priorizar as propostas na hora de definir o voto no primeiro turno.
O resultado revela que, apesar da intensa disputa de narrativas nas redes sociais e do espaço ocupado por ataques pessoais, boa parte da população espera encontrar respostas concretas para os problemas do país. Emprego, renda, saúde, educação, segurança pública, equilíbrio fiscal e desenvolvimento econômico devem estar no centro do debate eleitoral.
A pesquisa mostra também que 16% dos entrevistados escolhem um candidato principalmente para rejeitar os demais concorrentes. Outros 22% mencionam motivações diversas. Em comparação com o levantamento anterior, realizado em meados de julho, houve uma pequena elevação do voto orientado por propostas, de 61% para 62%, enquanto a escolha motivada pela rejeição recuou de 17% para 16%.
Embora a variação seja discreta, o movimento merece atenção. A democracia se fortalece quando o eleitor analisa programas, compara compromissos e cobra dos candidatos explicações sobre como pretendem colocar suas promessas em prática. Escolher apenas por antipatia pode reduzir uma decisão complexa a uma reação emocional, deixando em segundo plano os desafios que afetarão a vida da população durante os próximos quatro anos.
Cabe agora aos candidatos corresponder a essa expectativa. Não basta apresentar listas genéricas de intenções ou promessas sem indicar fontes de recursos, prioridades e prazos. As propostas precisam ser viáveis, transparentes e capazes de responder às necessidades reais do Brasil. Também devem estar acompanhadas de equipes preparadas e de compromisso efetivo com as instituições democráticas.
Os números da pesquisa oferecem um sinal encorajador: a maioria quer discutir ideias.