Poços de Caldas, MG – Dez anos após a morte do músico Yuri Antônio Gonçalves Vilas Boas, um novo julgamento pelo Tribunal do Júri resultou na condenação do ex-escrivão da Polícia Civil Thiago Galvão Bernardes a 15 anos de reclusão, em regime inicial fechado. O caso, ocorrido em maio de 2016, em Poços de Caldas, passou por diferentes etapas e recursos ao longo da última década.
Thiago foi levado novamente a julgamento acusado de homicídio qualificado, pelo emprego de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima, e de fraude processual, relacionada à acusação de alteração da cena do crime antes da chegada da perícia.
A sessão teve início pela manhã, com o Conselho de Sentença formado por cinco homens e duas mulheres. Durante o julgamento, foram ouvidas testemunhas e realizado o interrogatório do acusado. Na sequência, Ministério Público e defesa apresentaram suas teses aos jurados.
Ao final dos trabalhos, o Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade do réu, resultando na aplicação da pena de 15 anos de prisão em regime inicialmente fechado.
Crime aconteceu em 2016
Yuri Antônio Gonçalves Vilas Boas morreu em maio de 2016. Conforme consta no processo, ele estava em um apartamento na companhia de Thiago e de uma terceira pessoa, onde consumiam bebidas alcoólicas.
Segundo a acusação, em determinado momento, o então escrivão sacou uma arma de fogo e efetuou um disparo que atingiu o músico. Yuri morreu no local.
Após o tiro, a terceira pessoa que estava no apartamento deixou o imóvel em busca de socorro. Quando os policiais chegaram, encontraram Thiago no local, próximo ao corpo da vítima. Conforme os registros do caso, ele apresentava sinais de embriaguez e estava confuso.
O ex-escrivão foi preso em flagrante e o episódio deu início a um processo judicial que se prolongaria pelos dez anos seguintes.
Primeiro júri ocorreu em 2018
O primeiro julgamento pelo Tribunal do Júri aconteceu em 2018. Na ocasião, a defesa sustentou a tese de que o disparo havia ocorrido de maneira acidental.
Os jurados decidiram pela desclassificação do homicídio doloso. Thiago acabou condenado a dois anos e um mês de prisão. Como já havia permanecido preso preventivamente por período correspondente à pena estabelecida, foi colocado em liberdade.
O Ministério Público recorreu da decisão, sustentando que o resultado do julgamento era contrário às provas existentes no processo. O recurso foi acolhido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que anulou a decisão e determinou a realização de um novo julgamento.
A partir daí, o processo passou por novos recursos apresentados pela defesa, prolongando a tramitação do caso. Em 2021, enquanto o processo ainda seguia em andamento, Thiago Galvão Bernardes foi exonerado do cargo de escrivão da Polícia Civil.
Novo júri após uma década
Com a realização do novo Tribunal do Júri, dez anos depois do crime, o caso voltou a ser analisado por um Conselho de Sentença.
Diferentemente do resultado do primeiro julgamento, os jurados acolheram a acusação apresentada contra o ex-escrivão. A decisão culminou na condenação a 15 anos de reclusão, com determinação de cumprimento da pena inicialmente em regime fechado.