São Paulo, SP – A dramaturgia brasileira perdeu nesta segunda-feira (17) uma de suas mais importantes representantes. A atriz Laura Cardoso morreu aos 98 anos, em São Paulo. A informação foi divulgada na madrugada desta terça-feira (18) pelo bisneto Fernando Faria, por meio do perfil oficial da artista nas redes sociais. A causa da morte não havia sido divulgada até o início desta terça-feira.
Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, Laura construiu uma carreira de 82 anos, atravessando diferentes períodos da comunicação e das artes brasileiras. Do rádio à televisão, passando pelo teatro e pelo cinema, tornou-se uma das atrizes mais longevas e respeitadas do país.
Filha de ex-camponeses portugueses da região de Trás-os-Montes, Laura cresceu no Bixiga, tradicional bairro paulistano. O interesse pela interpretação surgiu ainda jovem. Aos 16 anos, iniciou sua carreira na Rádio Cosmos, participando de programas de auditório, humorísticos e radionovelas. Posteriormente, trabalhou nas rádios Tupi, Bandeirantes e Cultura.
Pioneira na televisão
Laura Cardoso fez parte da geração que acompanhou os primeiros passos da televisão brasileira. Sua estreia na TV ocorreu em 1952, na extinta TV Tupi, em “Tribunal do Coração”. Durante aproximadamente 15 anos, integrou o elenco fixo dos teleteatros transmitidos ao vivo pela emissora.
Depois de passar por diferentes emissoras, estreou na TV Globo em 1981, na novela “Brilhante”, de Gilberto Braga. A partir daí, construiu uma extensa trajetória na emissora e participou de mais de 20 novelas, além de outras produções.
Entre seus trabalhos mais conhecidos estão “Mulheres de Areia”, “A Viagem”, “Explode Coração” e “Caminho das Índias”. Também participou da minissérie “Hoje É Dia de Maria”, em 2005, na qual voltou a utilizar uma das ferramentas que marcaram o início de sua carreira: a voz, ao atuar como narradora da produção.
Sua última novela foi “A Dona do Pedaço”, exibida em 2019. Em 2024, Laura foi uma das personalidades homenageadas pelo programa “Tributo”, da Globo.
Teatro e cinema
A trajetória de Laura Cardoso também foi marcada por importantes trabalhos nos palcos. Sua estreia no teatro adulto aconteceu em 1959, em “Plantão 21”, com direção de Antunes Filho. Entre as montagens de destaque esteve “Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu”, trabalho pelo qual recebeu diferentes premiações.
No cinema, participou de produções relevantes da cinematografia nacional. Um de seus papéis marcantes foi em “Terra Estrangeira”, de Walter Salles e Daniela Thomas. Também foi premiada por trabalhos como “Através da Janela” e “O Outro Lado da Rua”.
Mesmo em idade avançada, Laura permaneceu ligada à atuação. Seu último trabalho no cinema foi o curta-metragem “Dona Rosinha”, lançado em 2025, no qual interpretou uma mulher idosa abandonada pela filha em um ponto de ônibus.
Um legado de
oito décadas
Ao atravessar mais de oito décadas de transformações na dramaturgia brasileira, Laura Cardoso tornou-se referência para diferentes gerações de artistas. Sua carreira começou quando o rádio ainda ocupava posição central no entretenimento nacional, acompanhou o nascimento e a consolidação da televisão e chegou ao século XXI mantendo presença no teatro, no cinema e nas produções televisivas.
Com personagens populares e atuações marcantes, Laura construiu uma trajetória caracterizada pela versatilidade e pela dedicação ao ofício de atriz.
Aos 98 anos, despede-se uma das grandes referências da dramaturgia nacional, deixando uma extensa obra e uma história diretamente ligada à própria evolução da televisão, do teatro, do rádio e do cinema brasileiros.