Poços de Caldas, MG – Médica, gestora, ex-presidente da Câmara Municipal e vereadora por três mandatos, Dra. Regina Maria Cioffi Batagini entra na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais defendendo uma candidatura baseada principalmente em três pilares: gestão, coragem e resultados. Em entrevista ao Jornal Mantiqueira, dentro da série especial com candidatos de Poços de Caldas nas eleições de 2026, Regina fez um amplo balanço de sua trajetória profissional e política, apresentou propostas para um eventual mandato estadual e defendeu uma representação mais presente de Poços de Caldas e do Sul de Minas em Belo Horizonte.
A candidata procura diferenciar sua trajetória destacando que sua entrada na política ocorreu depois de uma longa experiência profissional e administrativa. Médica, Regina afirma ter dedicado mais de três décadas à medicina e à saúde pública, com 34 anos de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para ela, essa convivência direta com pacientes e familiares proporcionou conhecimento das dificuldades enfrentadas diariamente por quem depende do serviço público. “Minha história sempre foi muito voltada às pessoas. São mais de três décadas na medicina e na saúde pública. Atendi o SUS durante 34 anos e conheço a dificuldade das pessoas. Sei que, com uma boa gestão do dinheiro público, podemos transformar realidades”, afirmou.
Na vida pública, Regina exerceu três mandatos como vereadora e destaca ter sido a única mulher a ocupar a Presidência da Câmara Municipal de Poços de Caldas. Segundo ela, o período no Legislativo foi marcado pela tentativa de ouvir a população, identificar problemas e transformar demandas em políticas públicas.
A candidata afirma que não pretende ser vista apenas como uma política tradicional, mas como uma gestora que levou sua experiência profissional para a atividade pública. Em sua avaliação, essa combinação é importante para que projetos e recursos efetivamente resultem em melhorias na vida das pessoas.
Projetos nascidos das demandas da população
Ao relembrar sua passagem pela Câmara, Regina citou diferentes iniciativas relacionadas principalmente à saúde. Entre elas estão ações envolvendo o teste ampliado do pezinho, oxigenoterapia domiciliar, monitoramento de glicemia para crianças entre 2 e 14 anos e atendimento de pacientes com dores crônicas.
A candidata deu atenção especial à fibromialgia e a outras condições que provocam dor crônica. Segundo ela, pacientes que convivem com essas doenças muitas vezes enfrentam dificuldades até mesmo para que seu sofrimento seja reconhecido.
Entre os resultados que considera mais importantes está a implantação do Centro da Dor Crônica em Poços de Caldas. De acordo com Regina, a estrutura já atendeu milhares de pessoas e representa uma política pública diretamente relacionada à melhoria da qualidade de vida.
Ela afirma que muitas das iniciativas desenvolvidas ao longo de sua trajetória surgiram justamente da escuta das pessoas e da identificação de problemas concretos. “Vários projetos nasceram realmente de ouvir as pessoas e entender que aquilo era importante para a solução, para resultados na vida das pessoas”, destacou.
A atenção às crianças, aos idosos, às famílias e aos pacientes com necessidades específicas, segundo Regina, continuará sendo uma das bases de sua atuação caso consiga chegar à Assembleia Legislativa.
Mulheres entre as prioridades
As políticas públicas voltadas às mulheres também aparecem entre as principais bandeiras apresentadas pela candidata. Regina afirmou que considera necessário um olhar específico para as necessidades femininas e relembrou iniciativas desenvolvidas durante sua atuação no Legislativo municipal.
Entre as ações citadas estão o botão de pânico, a Procuradoria da Mulher e o Parlamento Feminino. Regina também mencionou legislação de sua autoria relacionada à ocupação de cargos públicos por pessoas envolvidas em violência contra mulheres.
Segundo a candidata, não considera aceitável que pessoas condenadas por agressões contra mulheres sejam beneficiadas com determinados cargos públicos. Ela defende o enfrentamento às diferentes formas de violência, incluindo as de natureza física, psicológica, financeira e sexual.
A saúde feminina também aparece nessa agenda. Regina voltou a citar a fibromialgia e as dores crônicas como condições que atingem especialmente as mulheres e que, em sua avaliação, precisam receber maior atenção do poder público.
Por que disputar uma cadeira na Assembleia
Regina afirma que a decisão de disputar uma vaga de deputada estadual está relacionada aos limites encontrados pela atuação municipal. Segundo ela, diversos problemas que chegam até vereadores e gestores locais dependem de decisões, políticas e recursos do Governo do Estado.
Por isso, considera que uma cadeira na Assembleia representaria uma ferramenta para ampliar sua capacidade de atuação.“Não para ter apenas um cargo, para ter apenas um poder, mas para continuar fazendo esse trabalho, porque muitos problemas passam do limite do município, passam do limite do que um vereador pode fazer”, declarou.
Entre as funções que pretende exercer estão a fiscalização do Executivo estadual, o acompanhamento da aplicação dos recursos públicos e a busca de verbas para projetos considerados prioritários.
Regina também colocou o combate à corrupção entre suas bandeiras e afirmou que pretende manter uma postura independente na fiscalização. Em sua avaliação, o exercício do mandato deve estar associado à coragem para enfrentar temas difíceis e cobrar respostas do poder público.
Segurança pública e valorização da Polícia Civil
A segurança pública também foi abordada durante a entrevista. Regina demonstrou preocupação principalmente com a estrutura oferecida à Polícia Civil em Minas Gerais.
A candidata fez críticas às condições enfrentadas pela instituição e afirmou que faltam recursos para o desempenho adequado de suas atividades. Para ela, um deputado estadual tem condições de cobrar do Governo de Minas maior valorização e estrutura para as forças responsáveis pela segurança.
Regina associou essa defesa à necessidade de fiscalização e de utilização responsável dos recursos públicos. Segundo ela, é necessário identificar as prioridades e direcionar o dinheiro público para serviços capazes de produzir resultados concretos para a população.
A candidata também citou entre seus valores a defesa da família, de Deus e da liberdade de expressão, afirmando que são princípios que já fizeram parte de sua atuação política no município.
“Coragem para colocar o dedo na ferida”
Outro conceito repetido por Regina durante a entrevista foi a coragem. A candidata afirma que uma de suas características na vida pública foi enfrentar assuntos que muitas vezes encontram resistência política. “Problemas que ninguém tem coragem de colocar o dedo na ferida, eu tenho coragem. Porque coragem é o que não me falta”, declarou.
Nesse contexto, Regina também mencionou sua atuação relacionada à INB. Segundo ela, o assunto exigiu posicionamento e enfrentamento e foi um dos exemplos de situações nas quais decidiu “colocar o dedo na ferida”, mesmo diante das dificuldades existentes.
Para a candidata, a política precisa avançar além da identificação dos problemas. Ela argumenta que apontar dificuldades sem apresentar caminhos para solucioná-las não é suficiente e que a população espera capacidade de gestão e resultados.
Saúde mais próxima da população
Dentro do conjunto de propostas para a Assembleia, Regina afirma que pretende trabalhar para aproximar os serviços de saúde dos pacientes. A candidata critica situações nas quais pessoas precisam percorrer diferentes unidades e cidades em busca de diagnóstico, consulta, tratamento ou atendimento especializado. “Quero aproximar, fazer o possível para aproximar a saúde mais das pessoas e não as pessoas buscando, peregrinando, procurando atendimento”, afirmou.
Uma das áreas que pretende priorizar é o atendimento às crianças neurodivergentes e, especialmente, às pessoas com transtorno do espectro autista.
Regina argumenta que o diagnóstico representa apenas uma etapa do atendimento. Depois dele, segundo a candidata, as famílias precisam encontrar uma rede estruturada que garanta acompanhamento e tratamento.
Centro regional para crianças neurodivergentes
Entre as propostas apresentadas está a implantação de um centro regional especializado no atendimento de crianças neurodivergentes. A intenção é utilizar Poços de Caldas como projeto-piloto e, posteriormente, ampliar a experiência.
O centro idealizado pela candidata reuniria diferentes especialidades em uma equipe multidisciplinar. Entre os profissionais mencionados por Regina estão fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e neuropediatras.
A proposta não ficaria restrita ao atendimento da criança. Regina afirma que a estrutura também deveria oferecer acolhimento às famílias, considerando a sobrecarga enfrentada especialmente pelas mães responsáveis pelos cuidados cotidianos.
Segundo a candidata, existem casos em que mulheres acabam assumindo sozinhas a responsabilidade pelos filhos após o diagnóstico de neurodivergência ou autismo. Por isso, ela considera que uma política pública voltada a esse público precisa enxergar tanto a criança quanto sua estrutura familiar.
Centro da Dor em modelo regional
Outra proposta é ampliar regionalmente a experiência do Centro da Dor existente em Poços de Caldas.
Regina reconhece que o próprio serviço municipal ainda pode ser aperfeiçoado, mas avalia que o modelo possui potencial para ser levado a outros municípios. Para isso, pretende buscar recursos por meio de emendas parlamentares e articulações com o Governo do Estado.
A candidata afirma não ser contrária à destinação de emendas para hospitais, mas argumenta que o orçamento também precisa contemplar outras demandas da população. “Não sou contra uma emenda vir para o hospital, de jeito nenhum, mas nós precisamos também ouvir esse outro lado da população”, disse.
Novos leitos hospitalares
A ampliação do número de leitos hospitalares aparece como outra prioridade.
Regina questionou a situação de pacientes que permanecem durante dias em unidades de pronto atendimento ou em estruturas que não possuem condições para oferecer o atendimento terciário necessário enquanto aguardam uma vaga hospitalar.
Na avaliação da candidata, a criação de novos leitos depende de investimentos e recursos públicos e pode contar com a participação direta dos deputados estaduais por meio de emendas e articulação política.
Ela defende que o parlamentar cobre do Governo do Estado providências para as regiões que apresentam déficit de atendimento, independentemente de quem esteja à frente da administração estadual.
Para Regina, o papel de um deputado não deve se limitar a encaminhar recursos, mas também envolver fiscalização sobre a destinação do dinheiro e avaliação sobre quais são as maiores demandas da população.
“Solução, não apenas discurso”
A candidata também fez críticas à política baseada, segundo ela, em discursos de impacto que não necessariamente são acompanhados de soluções.
Regina se apresenta como uma representante da direita, mas afirma defender uma “direita que trabalha”, que apresente resultados e soluções concretas.
Para ela, a população precisa avaliar não apenas o discurso apresentado durante a campanha eleitoral, mas a trajetória dos candidatos, aquilo que já fizeram e sua capacidade de solucionar problemas.
A candidata afirma que é comum, especialmente em períodos eleitorais, encontrar discursos fortes sobre problemas conhecidos pela população, mas considera necessário questionar se, além de apontar essas dificuldades, os candidatos apresentam alternativas para enfrentá-las.
Escolha partidária e chances eleitorais
Regina também falou abertamente sobre a estratégia eleitoral. A candidata considera que possui uma possibilidade concreta de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa e relaciona essa avaliação à legenda escolhida para disputar a eleição.
Segundo ela, a composição partidária poderá permitir sua eleição com uma quantidade de votos inferior à necessária para candidatos que disputam por outras legendas. “Eu tenho uma chance enorme de ganhar essa eleição. Porque escolhi um partido, uma legenda, que com poucos votos, com metade dos votos que outros precisam, eu estou dentro”, afirmou.
A partir disso, Regina pede que os eleitores analisem o currículo e a trajetória de cada candidato antes de decidir o voto.
Para ela, o eleitor deve observar quem já apresentou resultados, quem enfrentou assuntos considerados difíceis e quem possui experiência para transformar propostas em políticas públicas.
Experiência de 16 anos na gestão hospitalar
Além dos 34 anos de atuação no SUS e dos três mandatos como vereadora, Regina destaca sua experiência administrativa no setor hospitalar.
Segundo a candidata, foram 16 anos administrando um hospital, período no qual precisou lidar com problemas de gestão e buscar soluções para o funcionamento dos serviços. “Minha vida foi construída cuidando de pessoas, administrando. Administrei o hospital por 16 anos, enfrentando problemas e buscando soluções”, afirmou.
Regina considera que essa experiência é um diferencial para o exercício de um mandato parlamentar, especialmente porque parte significativa das demandas apresentadas por municípios ao Estado está relacionada à saúde.
Poços como casa e Sul de Minas como prioridade
A candidata afirma que sua atuação, caso eleita, terá Poços de Caldas e o Sul de Minas como prioridades, sem deixar de considerar as demandas das demais regiões do Estado.
“Eu não quero apenas ser uma candidata. Poços é minha casa e Minas é minha história”, declarou.
Regina considera que o Sul de Minas precisa ampliar sua voz dentro da Assembleia e transformar sua importância econômica e populacional em maior capacidade de articulação política.
A proposta é atuar regionalmente, ouvindo municípios e buscando soluções que possam ser compartilhadas entre diferentes cidades.
Gabinete e presença permanente em Poços
Um dos compromissos apresentados durante a entrevista é manter uma estrutura de atendimento próxima à população de Poços de Caldas.
Regina afirmou que pretende ter um gabinete que possibilite contato permanente com moradores, entidades e lideranças locais. Para ela, representar Poços não pode significar aparecer na cidade apenas durante campanhas eleitorais. “Não é simplesmente época de eleição dizer: ‘eu sou de Poços’. É estar em Poços, é ter presença em Poços de Caldas”, afirmou.
A candidata também criticou políticos que, segundo ela, procuram os municípios em busca de votos e depois deixam de manter contato com a população.
Em sua avaliação, um mandato regional precisa ser construído com presença constante, escuta e acompanhamento das demandas apresentadas pelas comunidades.
Gestão, coragem e resultado
“Gestão mostra competência, coragem mostra personalidade, resultado mostra que não é apenas discurso”, afirmou.
“Eu não quero apenas uma cadeira para ter um cargo. Quero uma ferramenta maior para fazer mais. O Sul de Minas precisa ter voz, presença e resultado na Assembleia”, declarou.
R$ 2 milhões para Poços
Regina encerrou a entrevista destacando que, mesmo sem exercer atualmente um mandato na Assembleia Legislativa, conseguiu viabilizar recursos para Poços de Caldas.
Segundo a candidata, foram R$ 2 milhões destinados ao município. Ela utiliza o resultado como demonstração do compromisso que afirma manter com a cidade e como exemplo do que pretende ampliar caso seja eleita. “Meu compromisso é tão grande com Poços de Caldas que, mesmo não sendo deputada, eu trouxe dois milhões para Poços de Caldas. Mesmo não sendo deputada. Isso é compromisso”, declarou.
Ao concluir sua participação na série de entrevistas do Jornal Mantiqueira, Regina pediu a confiança dos eleitores e afirmou que pretende trabalhar não apenas por Poços de Caldas, mas pelo Sul de Minas e pelo conjunto do Estado.
política para Poços de Caldas e para a região.
“Vamos juntos, que vocês vão ter uma deputada que trabalha e que busca soluções, não só para Poços, mas para o Sul de Minas e Minas Gerais, porque você tem que trabalhar por todos”, concluiu.
Dra. Reguna Cioffi é candidata a deputada estadual pelo Podemos e concorre com o número 20022.
PAULO VITOR DE CAMPOS
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