Poços de Caldas, MG – Formação profissional, troca de experiências e construção de estratégias para garantir uma educação que respeite as necessidades de cada estudante marcaram o 1º Seminário Municipal de Educação Especial e Inclusiva, realizado nesta terça-feira, 8 de setembro, no Espaço Cultural da Urca, em Poços de Caldas.
Promovido pela Secretaria Municipal de Educação, o encontro reuniu profissionais da rede, instituições que atuam diretamente com educação especial e inclusiva, especialistas e convidados de outros municípios. A programação contemplou palestras, apresentações culturais, homenagens, roda de conversa e exposição das experiências desenvolvidas pelas instituições que atendem e apoiam os estudantes.
Entre os assuntos abordados estiveram deficiência física, auditiva e visual, neurodivergências, altas habilidades, TDAH, TOD, transtornos de aprendizagem, ensino estruturado, alfabetização e o modelo RTI, voltado à intervenção diante de dificuldades de aprendizagem.
Segundo o secretário municipal de Educação, Marcus Lemos, o seminário integra um processo mais amplo de formação que vem sendo desenvolvido com os profissionais da rede. “O seminário de inclusão vem reforçar todas as formações que estamos fazendo com a nossa rede. É um dia de debate, trazendo todos os órgãos que trabalham com inclusão, tanto da Prefeitura quanto as instituições parceiras”, explicou.
O secretário destacou ainda a diversidade dos temas e a participação de profissionais de outras cidades, entre elas Jundiaí, contribuindo para o intercâmbio de experiências e práticas.
Rede amplia estrutura voltada à inclusão
Durante o evento, Marcus Lemos fez um balanço dos avanços realizados na educação inclusiva municipal. Entre as medidas, destacou a criação de um setor específico para tratar do tema e a implantação da Singular.
A próxima etapa, segundo ele, envolve levar a proposta para dentro das unidades educacionais, com a implantação das chamadas Salas Singular, além do fortalecimento e da reestruturação dos espaços destinados ao Atendimento Educacional Especializado (AEE). “Nós montamos um setor dedicado a isso, inauguramos a Singular e agora estamos inaugurando a Singular dentro das escolas, a Sala Singular, reforçando o papel do AEE, que faz todo o tema da inclusão também dentro da unidade”, afirmou.
Outro avanço apontado pelo secretário foi a ampliação do número de agentes que trabalham na área. A Secretaria pretende agora iniciar uma segunda etapa, que prevê a revisão do cargo e medidas para melhorar as condições e a qualidade do trabalho desenvolvido por esses servidores.
Marcus Lemos também citou a valorização dos profissionais ligados à educação inclusiva, com bonificação pelo trabalho desenvolvido, além do investimento em estrutura, mapeamento e gestão de dados.
De acordo com ele, o objetivo é utilizar essas informações para planejar ações que promovam uma inclusão efetiva, levando em consideração as características individuais dos estudantes. “É para que a gente possa ter essa inclusão de fato dentro das unidades, mas respeitando a singularidade de cada indivíduo”, ressaltou.
Instituições reunidas para construir caminhos
A gerente da Seção de Educação e Inclusão, Elizafã Michelly Ferreira de Souza, destacou que uma das propostas centrais do seminário foi colocar no mesmo espaço as diferentes instituições que trabalham apoiando as escolas. “Hoje nós estamos trazendo todas as instituições que trabalham aqui apoiando as escolas. O motivo é que a gente possa construir caminhos para a inclusão”, explicou Elisafã.
Segundo ela, a educação inclusiva passa por um processo permanente de discussão e transformação. Por isso, reunir profissionais com diferentes experiências permite ampliar o conhecimento e buscar soluções que possam ser aplicadas no cotidiano das escolas.
A diversidade da programação também procurou refletir a própria diversidade existente entre os estudantes. “Cada ser é único e é por isso essa diversidade, a importância de a gente trazer múltiplas deficiências, as dificuldades que as pessoas podem apresentar na escola e a importância de ter um olhar diferenciado para adaptar e fazer a adequação de acordo com as necessidades do estudante”, afirmou.
Novas metodologias em discussão
Entre os assuntos considerados de destaque estiveram o ensino estruturado e o modelo de Resposta à Intervenção, o RTI.
De acordo com Elisafã, foram convidados profissionais de outras cidades para apresentar experiências relacionadas a temas que ainda são pouco abordados no Brasil.
A gerente de Formação do Centro de Referência do Servidor, Denise Nery Ramos, também ressaltou a importância da discussão sobre o RTI e da possibilidade de levar os conhecimentos apresentados durante o seminário para o cotidiano das unidades educacionais. “Estamos discutindo vários temas da inclusão que são bem pertinentes para que sejam levados para dentro das unidades, porque o nosso foco é o aluno, é que a inclusão realmente aconteça”, afirmou.
Denise reforçou que a inclusão precisa fazer parte efetivamente da rotina escolar, considerando que os estudantes atendidos pela educação especial convivem diariamente com todos os demais alunos. “A inclusão não pode ficar no papel, ela realmente tem que acontecer. O que a Secretaria tem buscado hoje é realizar essa inclusão não só dos alunos com deficiência, mas de todos os alunos”, destacou.
Segundo ela, os atendimentos realizados tanto nas escolas quanto nas instituições parceiras se complementam e ajudam a oferecer melhores condições para participação e aprendizagem.
RTI
O RTI (Resposta à Intervenção, ou Response to Intervention) é um modelo pedagógico estruturado em camadas para identificar precocemente dificuldades de aprendizagem, oferecer suporte direcionado e monitorar o progresso dos alunos com base em dados.
Como o RTI funciona na inclusão Identificação precoce: o modelo detecta quem está ficando para trás antes que o fracasso escolar se consolide.
Apoio em camadas (três níveis): Camada 1: Ensino universal de alta qualidade em sala de aula para todos os alunos.
Programação reúne especialistas
A programação formativa começou com Daiane Soares da Silva, que apresentou a palestra “Ensino Estruturado: Organização do Ambiente e Estratégias para Favorecer a Aprendizagem e a Autonomia”. O conteúdo trouxe estratégias de organização e intervenção que podem ser incorporadas ao cotidiano escolar.
Na sequência, Kelvis Sampaio abordou “A aprendizagem por equivalência de estímulos: princípios e aplicações no contexto educacional”, ampliando a discussão sobre possibilidades e estratégias para favorecer o processo de aprendizagem.
Outro momento da programação foi dedicado ao RTI – modelo de intervenção para prevenção e superação das dificuldades de aprendizagem. Uma roda de conversa permitiu aprofundar o debate sobre formas de identificar necessidades e estabelecer intervenções no ambiente educacional.
O médico psiquiatra Dr. Lucas de Carvalho apresentou a palestra “TDAH e TOD: compreensão, características e estratégias no contexto escolar”, discutindo características dessas condições e possibilidades de atuação dos profissionais da educação.
Já Dani Volpi encerrou a programação de palestras com o tema “Alfabetização e Transtornos de Aprendizagem: desafios e estratégias para o desenvolvimento da leitura e da escrita”.
Profissionais são homenageados
O seminário também abriu espaço para reconhecer o trabalho realizado diariamente nas unidades educacionais. Agentes de Educação, professores e Auxiliares de Educação Inclusiva foram homenageados pelas práticas desenvolvidas e pela contribuição para uma educação mais inclusiva.
Os estudantes também tiveram protagonismo. Alunos das instituições que atuam na área realizaram apresentações durante o encontro, enquanto as entidades puderam mostrar ao público como funcionam e quais serviços oferecem à comunidade.
No período noturno, André Sabino, do Conservatório, realizou uma apresentação cultural, integrando arte e sensibilidade à programação formativa.
Inclusão além do acesso à escola
A realização do primeiro seminário consolida a proposta da Secretaria de Educação de tratar a inclusão como um processo que vai além da matrícula e da presença do estudante dentro da unidade escolar.
A discussão apresentada durante o encontro envolve condições de aprendizagem, autonomia, participação, adequação das práticas pedagógicas, formação dos profissionais e organização de estruturas capazes de atender diferentes necessidades.
Nesse processo, a administração municipal aposta no fortalecimento do AEE, na implantação das Salas Singular, na ampliação e valorização das equipes, na formação continuada e na utilização de dados para orientar as políticas educacionais.
Para os organizadores, o desafio é reconhecer que cada estudante apresenta características, potencialidades e necessidades próprias. Assim, o 1º Seminário Municipal de Educação Especial e Inclusiva encerrou sua programação reforçando o compromisso de construir uma rede capaz de reconhecer as diferenças e garantir oportunidades de aprendizagem e participação para todos.
PAULO VITOR DE CAMPOS
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OBS – Com informações da Secretaria Municipal de Educação