Bandeira do Sul, MG – Uma mulher procurou a polícia para denunciar um elaborado golpe virtual praticado por uma pessoa que se apresentava como o empresário Elon Musk. Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito estabeleceu uma relação amorosa com a vítima, prometeu casamento e afirmou que lhe daria um veículo da Tesla. Durante as conversas, a mulher gastou mais de R$ 2 mil na compra de créditos da App Store e, posteriormente, descobriu a existência de um empréstimo de aproximadamente R$ 68 mil em seu nome.
A vítima compareceu à unidade policial e relatou ser admiradora de Elon Musk há mais de dois anos e meio.
Conforme declarou à polícia, ela passou a acompanhar o empresário pela rede social X e acreditava ter proximidade com Maye Musk, mãe do empresário e modelo.
De acordo com o registro policial, o contato que deu origem ao golpe ocorreu no dia 5 de setembro, por volta das 7h46. Uma pessoa se apresentando como Elon Musk iniciou uma conversa com a mulher pelo WhatsApp. Ao longo dos contatos, foram utilizados diferentes números telefônicos com código internacional +234, correspondente à Nigéria.
Segundo o relato prestado à polícia, o golpista passou a trocar mensagens de conteúdo amoroso com a vítima. A aproximação teria avançado até a promessa de casamento.
Além da suposta relação afetiva, o criminoso informou que teria presenteado a mulher com um automóvel da Tesla. Para receber o veículo, entretanto, ela deveria supostamente arcar com taxas alfandegárias necessárias para que o carro fosse transportado e entregue em seu endereço.
O falso Elon Musk também teria enviado à vítima um formulário para preenchimento com dados pessoais, sob a justificativa de que as informações seriam necessárias para colocar o veículo em seu nome e providenciar a entrega.
Depois do início das conversas pelo WhatsApp, o suspeito pediu que os contatos passassem a ser realizados pelo aplicativo Signal.
Ainda conforme o boletim, o golpista passou a orientar a mulher a comprar créditos da App Store.
Ela deveria procurar estabelecimentos comerciais da cidade que vendessem os cartões e, depois da compra, enviar ao suspeito os códigos existentes no verso.
A vítima acreditava que os valores seriam utilizados para o pagamento das supostas taxas alfandegárias relacionadas ao transporte do automóvel.
Durante o período em que manteve contato com o criminoso, ela comprou e repassou mais de R$ 2 mil em créditos da App Store.
O procedimento é característico de golpes envolvendo cartões-presente e créditos digitais: depois que o código é enviado ao criminoso, o valor pode ser utilizado ou transferido sem que seja necessário entregar fisicamente o cartão.
Outro ponto relatado à polícia chama a atenção. A mulher informou que participou de chamadas de vídeo durante os dias em que conversou com a pessoa que acreditava ser Elon Musk.
Segundo o boletim, teriam sido utilizadas imagens produzidas ou manipuladas com recursos de inteligência artificial. Durante as chamadas, o golpista mostrava imagens de uma tela de computador com a aparência de Elon Musk enquanto mantinha a conversa com a vítima.
A mulher afirmou ainda que deixou o próprio rosto visível durante essas videochamadas, situação registrada no boletim pela preocupação com eventual utilização da imagem para mecanismos de identificação facial ou outras possíveis fraudes.
Além dos valores gastos com os créditos digitais, a vítima forneceu informações pessoais ao golpista.
Conforme declarou à polícia, ela chegou a encaminhar fotografias de seus documentos pessoais e também um comprovante de residência.
A entrega desses dados aumentou a preocupação da vítima diante da possibilidade de utilização das informações para abertura de contas, contratação de serviços, obtenção de crédito ou outras operações realizadas sem sua autorização.
A situação ficou ainda mais grave quando a mulher procurou uma agência do Banco Itaú. Segundo o relato constante no boletim de ocorrência, ela tomou conhecimento da existência de um empréstimo em seu nome no valor aproximado de R$ 68 mil.
O registro apresentado não esclarece quando o empréstimo teria sido contratado, como a operação foi realizada, se o dinheiro chegou a ser movimentado ou se já foi possível confirmar formalmente que a contratação está diretamente relacionada ao mesmo golpe. Esses pontos deverão ser apurados.
Além disso, a mulher relatou ter descoberto uma pendência de aproximadamente R$ 1,5 mil referente a dívidas no comércio.
Somando-se os mais de R$ 2 mil efetivamente gastos na compra dos créditos da App Store ao empréstimo de aproximadamente R$ 68 mil e à pendência comercial de cerca de R$ 1,5 mil, os valores envolvidos no caso ultrapassam R$ 71,5 mil. No entanto, é importante diferenciar o prejuízo já confirmado pela vítima — superior a R$ 2 mil — dos demais valores encontrados em seu nome, cuja origem e eventual ligação com a fraude ainda precisam ser esclarecidas.
Mesmo depois de a vítima perceber que poderia estar diante de uma fraude e procurar a polícia, as tentativas de contato não cessaram.
De acordo com o boletim, até o momento em que a ocorrência estava sendo registrada, a pessoa que se apresentava como Elon Musk ainda tentava realizar chamadas de vídeo para a mulher. O caso foi formalizado para as providências cabíveis e deverá permitir a apuração das circunstâncias da fraude, incluindo a identificação dos responsáveis, a utilização dos dados pessoais da vítima e a origem das operações financeiras registradas em seu nome.