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Crise de confiança

Data da Publicação:

18/09/2026

A pesquisa Futura/100% Cidades divulgada nesta quinta-feira (17) acende um sinal de alerta para a democracia brasileira. O levantamento revela o descontentamento da maioria da população com algumas das principais instituições da República. No caso do Supremo Tribunal Federal (STF), apenas 29,3% dos entrevistados aprovam sua atuação, enquanto seis em cada dez brasileiros manifestam desaprovação.
O resultado não pode ser tratado como mero reflexo da polarização política. Embora as decisões do Supremo naturalmente provoquem reações entre diferentes grupos, um índice tão elevado de rejeição indica que parcela expressiva da sociedade já não se sente devidamente representada ou protegida pela mais alta Corte do país.
A crise se aprofundou com a divulgação de mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Independentemente das conclusões jurídicas que possam surgir, episódios dessa natureza alimentam dúvidas, ampliam suspeitas e desgastam ainda mais a imagem de uma instituição que deveria estar acima de qualquer questionamento sobre interesses particulares ou relações impróprias.
Ministros do Supremo não são escolhidos pelo voto popular. Sua legitimidade decorre da Constituição, da independência, do equilíbrio e da confiança pública na imparcialidade de suas decisões. Exatamente por isso, devem observar padrões rigorosos de transparência, prudência e responsabilidade. Quanto maior o poder exercido, maior deve ser o compromisso com a prestação de contas à sociedade.
A desaprovação popular, por si só, não invalida decisões judiciais nem autoriza ataques ao STF. A democracia não pode ficar sujeita apenas às oscilações das pesquisas. Entretanto, ignorar o sentimento das ruas seria igualmente grave. Instituições fortes não são aquelas que se consideram imunes às críticas, mas as que sabem ouvi-las, responder com clareza e corrigir eventuais falhas.
O descrédito não atinge somente o Supremo. Ele se soma ao desgaste do Congresso, dos partidos e de outras estruturas do Estado. Quando a população perde a confiança nas instituições, abre-se espaço para o radicalismo, para soluções autoritárias e para discursos que prometem substituir as regras democráticas pela vontade de ocasião.
Recuperar a credibilidade exige mais do que notas oficiais ou discursos defensivos. É necessário garantir transparência, respeito aos limites constitucionais, fundamentação clara das decisões e tratamento igual para todos. O STF tem papel indispensável na preservação da democracia brasileira. Justamente por isso, não pode se afastar da sociedade nem desprezar os sinais de insatisfação. A confiança pública demora anos para ser construída, mas pode ser perdida rapidamente — e recuperá-la deve ser uma prioridade de toda a República.

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