18:14 - Terça-Feira, 10 de Março de 2026

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MEMÓRIA HISTÓRICA – José Joaquim do CARMO GAMA Pesquisa de Hugo Pontes*

Data da Publicação:

20/04/2024

Baependi-MG 1860 – juiz de Fora-MG 1937
Conforme artigo da professora Marina Haizenreder Ertzogue, publicada na Saeculum – Revista de História, nº 34, de João Pessoa-PB, 2016, José Joaquim do Carmo Gama foi escrivão do 1º Cartório de Ofícios, de Rio Novo, minas Gerais; professor, escritor e membro da academia de letras de Minas Gerais.
Gama publicou em 1894, no Diário Oficial de Minas Gerais, em Ouro Preto, uma série de textos sob o título “Poços de Caldas: impressões de viagem”, resultado de sua vinda a Poços de Caldas para uma estação de cura, a fim de tratar de uma bronquite e de um reumatismo “agravados pela natureza de um trabalho profissional, causas de muitos sofrimentos que alcançam o pobre funcionário público ligado à baça do trabalho.”
Saindo de Rio Novo, Carmo Gama passou pela estação de Cruzeiro, chegando à Estação da Luz em São Paulo. No dia seguinte tomou o trem para Campinas e dali para Poços de Caldas, onde se hospedou no Hotel do Globo. No dia seguinte fez uma consulta com o médico Pedro Sanches de Lemos que o encaminhou para os banhos.
Em suas memórias, Carmo Gama assim se expressou falando de sua permanência na Vila: “Diariamente, ouvindo o grande sino do Hotel do Globo, cujo som, como se saísse do alto de um campanário, percorre toda a povoação e adjacências, convidando os hóspedes para as refeições e café, nas horas inalteráveis do regulamento afixado na parede dos quartos, ouvindo e repetidos passos pelos corredores: vendo durante as refeições, cheia aquela mesa, em redor da qual formigam lépidos e serviçais criados; observando aquele respeitoso silêncio que se fazia, quer na sala de leitura, após a chegada do correio, quer em todo hotel às 10 horas da noite.” Também relata a rotina dos banhistas: Banhos, pela manhã, ou antes, do jantar, passeios pelos morros circunjacentes, caçadas, quando encontravam cães, animais selados, espingarda e companheiros; passeios à estação à chegada do trem, à tarde ou jogos de salão, que terminavam invariavelmente às 10 da noite, em observância ao regulamento, quer de azar, nas casas próprias onde a roleta fascina.”
Ou a sua opinião sobre as casas de jogos onde predominavam a roleta e o baralho: “Reunidas centenas de pessoas em uma pequena vila, que aos encantos do seu clima e suas águas deve o condão de atrair forasteiros, como acontece em todas as estações aquáticas, joga-se bastante em Poços de Caldas, pagando cada casa de jogo a licença anual de 2:000$000 (dois mil contos de réis), segundo informou à municipalidade, que nisso tem fonte de renda. As mesas de pano verde, as roletas várias e as grossas quantias que ali pululam, fascinam os inclinados, entusiasmam os frequentadores, que de lá voltam, chorando e maldizendo seu infortúnio, ou abençoando a boa estrela que os guiou no terrível jogo de azar.”

HUGO PONTES
Professor, poeta e jornalista

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