O anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, de elevar novamente a taxa Selic, desta vez para 15% ao ano — o maior nível desde 2006 — reflete o esforço contínuo para conter a inflação persistente. A decisão, tomada na noite da última quarta-feira (18), marca o sétimo aumento consecutivo da taxa básica de juros, agora ajustada em 0,25 ponto percentual.
Em comunicado oficial, o Banco Central justificou a medida com base em um cenário de expectativas inflacionárias desancoradas, apontando para um encerramento de 2025 com inflação em 5,25%, bem acima da meta de 4,5%. A leitura do Boletim Focus reforça a preocupação dos agentes financeiros, que veem riscos crescentes de deterioração no controle dos preços, mesmo diante de um cenário de resiliência da atividade econômica.
A política monetária, nesse contexto, cumpre seu papel tradicional de frear o consumo e encarecer o crédito para tentar conter a escalada inflacionária. No entanto, há um custo evidente. Juros mais altos desestimulam o investimento produtivo, penalizam o endividamento das famílias e podem comprometer a recuperação do mercado de trabalho — justamente em um momento em que o país busca consolidar uma retomada mais inclusiva e sustentável.
Embora o combate à inflação seja necessário, a insistência em juros tão elevados pode ter efeitos colaterais indesejáveis. O Copom, ao apontar um ambiente de incertezas, parece mais preocupado em reafirmar seu compromisso com o controle inflacionário do que em calibrar o impacto social e econômico de suas decisões.
É legítimo questionar: até que ponto essa estratégia será eficaz? E mais importante — quem arcará com a conta? A busca pelo equilíbrio entre estabilidade monetária e crescimento econômico exige mais do que elevação contínua da Selic. Exige responsabilidade fiscal, reformas estruturais e políticas públicas que vão além da ortodoxia dos juros altos.