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Promessa e Ruína

Data da Publicação:

24/06/2025

A publicidade das apostas esportivas online no Brasil se transformou em uma poderosa engrenagem de ilusão. Influenciadores ostentando carros de luxo, relógios caros e uma vida de excessos seduzem milhões de brasileiros com promessas de ganhos rápidos e fáceis nas chamadas “bets”. Mas por trás dessa fantasia vendida nas redes sociais, esconde-se uma crise silenciosa de empobrecimento, adoecimento psicológico e, em casos extremos, tragédias irreparáveis.
A realidade tem sido dura: pessoas endividadas, doentes, perdendo o patrimônio e até a vida. “Há vítimas de suicídio, de agiotas, de colapsos emocionais causados pela triste ilusão de um influencer dizendo que você vai enriquecer apostando”, alertou o senador Styvenson Valentim, autor do Projeto de Lei 2.985/2023, aprovado pelo Senado em maio de 2025.
O projeto, que agora segue para a Câmara dos Deputados, impõe regras rigorosas à publicidade das apostas online. Entre os principais pontos, estão:
Proibição de influenciadores e celebridades em campanhas de apostas; Limitação de horários de veiculação da propaganda; Obrigatoriedade de avisos sobre riscos e transparência nas peças publicitárias; Restrições a patrocínios em estádios e eventos esportivos; Regras claras de fiscalização e penalidades digitais.
Essas medidas não surgem por acaso. Dados do Instituto DataSenado revelam que 13% da população com 16 anos ou mais – cerca de 22 milhões de brasileiros – fizeram apostas online apenas no último mês. O dado mais alarmante? Mais da metade desses apostadores vive com até dois salários mínimos por mês.
A juventude também está entre as mais afetadas. Um estudo de 2024 com mais de 800 universitários apontou que 81% já apostaram online e mais de 70% fazem isso regularmente, com idade média de 21 anos. Isso escancara um processo acelerado de vício e vulnerabilização que tem início precoce e consequências duradouras.
Não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. O Reino Unido, por exemplo, já proíbe, desde 2022, o uso de celebridades, atletas e influenciadores em campanhas publicitárias de apostas. O país vem se tornando referência em regulação para conter os danos sociais do jogo online.
A verdade é que o debate sobre a publicidade das apostas não se limita ao campo da legalidade ou do marketing. Trata-se de uma discussão ética e civilizatória sobre o tipo de sociedade que queremos construir na era digital. Seguiremos permitindo que algoritmos e influenciadores explorem fragilidades humanas em nome do lucro fácil? Ou teremos coragem de estabelecer limites para proteger as novas gerações?

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