Poços de Caldas, MG – Uma das maiores ofensivas já realizadas pela Polícia Federal em território mineiro foi deflagrada na madrugada desta quinta-feira (26), com foco em dois grupos criminosos fortemente atuantes no Sul de Minas Gerais e no interior de São Paulo. A Operação Conexão Sul de Minas mobilizou 250 policiais federais e 80 policiais militares, cumprindo 80 mandados de busca e apreensão e 34 mandados de prisão, entre temporárias e preventivas.
As investigações, conduzidas ao longo de um ano, revelaram uma estrutura criminosa altamente organizada, com envolvimento em uma ampla gama de crimes: tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, roubo e furto a instituições financeiras, extorsão, adulteração e receptação de veículos. Estima-se que as organizações tenham movimentado ao menos R$ 50 milhões em ativos ilícitos, grande parte ocultada por meio de transações de compra e venda de automóveis usados.
Pelo menos quatro pessoas foram presas em flagrante durante as diligências, que resultaram ainda na apreensão de 120 veículos, seis armas de fogo, porções de cocaína, maconha e crack, além de R$ 200 mil em espécie. Também foram sequestrados imóveis, embarcações e valores mantidos em contas bancárias ligadas aos investigados — todos considerados parte do patrimônio ilícito.
Apreensões anteriores e desdobramentos
Diversas apreensões relevantes já haviam ocorrido durante o curso da investigação. Em Alfenas, por exemplo, 67 tabletes de maconha foram confiscados, juntamente com outros entorpecentes e veículos. Em Três Pontas, a PF interceptou grande quantidade de drogas, enquanto em Campestre foi encontrada uma pistola 9mm com carregadores e munições. Já em Altinópolis (SP), os agentes desmantelaram um laboratório de refino de cocaína, com prensas, moldes, marcadores e insumos químicos.
A Polícia Federal também recolheu material genético de quatro suspeitos, investigados por possíveis ligações com ataques a bancos. O DNA será inserido na base da Rede Integrada de Perfis Genéticos (RIBPG), do Ministério da Justiça, podendo auxiliar em elucidações de outros crimes similares no país.
Estrangulamento financeiro
Além das prisões e apreensões, a operação tem como foco o enfraquecimento econômico das organizações criminosas. Segundo a Polícia Federal, a estratégia inclui o bloqueio de contas, sequestro de bens e a interrupção de todas as formas conhecidas de lavagem de dinheiro operadas pelos investigados.
As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Alfenas e os presos estão sendo encaminhados para unidades prisionais da região, após triagem na sede da Polícia Federal em Varginha.
Cooperação interestadual
A Operação Conexão Sul de Minas contou ainda com apoio logístico e de inteligência da Polícia Rodoviária Federal, contribuindo com interceptações de veículos e identificação de rotas de transporte de drogas. O trabalho conjunto entre forças de segurança estaduais e federais foi considerado essencial para o sucesso da ofensiva.
A Polícia Federal afirmou que novas fases da operação não estão descartadas, uma vez que as investigações seguem em curso para mapear todos os elos financeiros e operacionais das organizações envolvidas. A ação representa um duro golpe contra o crime organizado na região Sudeste, com foco em sufocar não apenas as atividades criminosas, mas também sua capacidade de se reestruturar.
Investigações
A Polícia Federal contou com o apoio da Polícia Militar de Minas Gerais e estiveram em campo 250 policiais federais e 80 policiais militares de Minas Gerais.
Com duração de um ano, a investigação, que também contou com a colaboração da Polícia Rodoviária Federal, revelou um esquema criminoso altamente estruturado, responsável por crimes como tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, extorsão, receptação, roubo a bancos, furto qualificado e adulteração de veículos.
Apesar da variedade de eventos relacionados, os estudos desencadeados após cada ação policial demonstram um potencial criminoso dotado de uma capilaridade em constante adaptação e com rápida expansão tanto de suas atividades quanto de seu aparelhamento e do patrimônio de seus principais membros.
A operação visa não apenas a prisão dos envolvidos, mas também o sufocamento econômico-financeiro da atividade ilícita, objetivando assim desestruturar a criminalidade da região. Oriundos do crime e da utilização de empresas de fachada e laranjas, estão sendo ainda apreendidos e sequestrados valores em contas bancárias, imóveis, veículos, vários deles de luxo, bem como embarcações e outros bens de alto valor utilizados para ocultação de patrimônio.