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Menos filhos

Data da Publicação:

30/06/2025

O mais recente Censo Demográfico 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma uma mudança profunda e contínua no comportamento reprodutivo das brasileiras: a queda acentuada na taxa de fecundidade. O dado é revelador não apenas do presente, mas do futuro do país. Mulheres estão tendo menos filhos e adiando a maternidade como nunca antes.
A taxa de fecundidade, que estima o número médio de filhos por mulher ao longo da vida reprodutiva, chegou ao menor nível da série histórica: 1,55 filhos por mulher. Para efeito de comparação, em 1960 esse número era de 6,28. Mesmo na região Norte — tradicionalmente com índices mais elevados — a taxa caiu de 8,56 filhos por mulher em 1960 para 1,89 em 2022. Esse cenário revela que a transição demográfica brasileira se consolidou.
Cresce também o número de mulheres que encerram seu ciclo reprodutivo sem ter filhos. A decisão por menos filhos – ou nenhum – não é aleatória. Ela reflete transformações culturais, sociais e econômicas: maior inserção feminina no mercado de trabalho, ampliação do acesso à educação, contraceptivos, adiamento de projetos familiares e, não menos importante, a busca por autonomia.
Esses novos arranjos impactam diretamente as políticas públicas. Um país que envelhece precisa repensar sua estrutura previdenciária, de saúde e assistência social. A redução no número de nascimentos exige uma reavaliação de investimentos em creches, escolas e também no planejamento de médio e longo prazo para lidar com uma população mais envelhecida e dependente.
Por outro lado, é fundamental garantir que essa escolha por ter menos filhos – ou não tê-los – seja de fato uma decisão livre e consciente, e não resultado de inseguranças econômicas, falta de apoio social ou ausência de políticas que conciliem maternidade e trabalho.
O Brasil vive um novo capítulo de sua história demográfica. É preciso enxergar, com seriedade e responsabilidade, as oportunidades e os desafios que ele nos impõe.

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