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Epidemia silenciosa

Data da Publicação:

02/07/2025

Um relatório recém-divulgado pela Comissão sobre Conexão Social da Organização Mundial da Saúde (OMS) acende um alerta preocupante: uma em cada seis pessoas no mundo sofre com a solidão. Trata-se de uma condição que não apenas corrói silenciosamente o bem-estar emocional, mas também apresenta impactos concretos e alarmantes na saúde física — contribuindo, segundo o estudo, para cerca de 100 mortes por hora, totalizando mais de 871 mil vidas perdidas a cada ano.
A solidão, conforme define a OMS, é um sentimento doloroso que resulta da distância entre as conexões sociais desejadas e as realmente experimentadas. Já o isolamento social é a ausência objetiva dessas conexões. Em ambos os casos, as consequências ultrapassam o plano individual: há reflexos diretos nos sistemas de saúde, nas oportunidades educacionais e no desempenho econômico das sociedades.
O fenômeno atinge de forma desproporcional os jovens e os moradores de países de baixa e média renda. Cerca de 17% a 21% dos jovens entre 13 e 29 anos relatam se sentir solitários, com os adolescentes como grupo mais afetado. Já entre os países de baixa renda, o índice chega a 24%, mais que o dobro dos 11% observados em nações mais ricas.
É igualmente grave a estimativa sobre o isolamento social: um em cada três idosos e um em cada quatro adolescentes estaria nessa condição. A convivência humana, tão essencial à nossa saúde quanto a alimentação ou o sono, está sendo corroída por mudanças no estilo de vida, transformações tecnológicas, desigualdades econômicas e falta de políticas públicas voltadas à inclusão social.
O relatório da OMS reforça que o enfrentamento da solidão deve ser tratado como prioridade de saúde pública global. Mais do que uma questão individual, trata-se de um desafio coletivo que requer investimentos em ambientes sociais acolhedores, promoção da saúde mental, fortalecimento dos laços comunitários e políticas que aproximem pessoas em vez de segregá-las.
É preciso restaurar o valor da convivência e reconhecer que vínculos afetivos e interações humanas não são um luxo, mas uma necessidade vital. Combater a solidão é, antes de tudo, um ato de humanidade.

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