Poços de Caldas, MG – No último domingo (20), o Beco da Urca foi o palco do Dia do Hip-hop, dentro do Festival de Inverno de Poços de Caldas 2025. O espaço recebeu moradores e visitantes de diferentes idades, promovendo a diversidade que o estilo carrega. A programação contou com a participação de diversos artistas locais que, através de suas músicas, trouxeram em rimas a desigualdade social e o preconceito, mas também a resistência e o desejo de um mundo melhor.
“Sem dúvida, esse é um espaço coletivo e plural. Estou aqui com a minha filha nesse que talvez seja um dos melhores lugares da cidade e é sempre bom quando o Hip-hop está em evidência, porque é de rua, do povo preto. É uma coisa que a gente quer viver e é bom quando a gente tem essa oportunidade”, enfatizou o professor de História e militante do movimento negro, Lucas Santos.
Para entender a força desse gênero musical, é importante lembrar que a cultura do Hip-hop surgiu em Nova York na década de 1970, entre as comunidades afro-americanas e se espalhou pelo mundo, ganhando forma e movimento. A manifestação artística tem a música como principal elemento, embora tenha dado vida também à dança e ao grafite.
Na língua portuguesa, as palavras hip e hop podem não fazer muito sentido, ou melhor, trazer diversos significados, como enfatizou o artista Schultz. “O Hip-hop para mim, na minha vida, significa mudança, significa uma maneira de educação, uma forma de revolução, insistência e persistência também. Desde a sua origem, desde a sua passagem, evolução e constância, ele sempre conversa. Ele sempre conversará com pessoas que o próprio sistema, às vezes, exclui ou finge que não está vendo, agindo com o que tem acesso”, explica o rapper, que atua há 12 anos no movimento.
A cultura de rua surge como forma de protesto para aqueles cujas vozes são frequentemente silenciadas, permitindo que compartilhem suas experiências, sentimentos e perspectivas, utilizando a arte como ferramenta para reivindicar direitos, promover mudanças sociais e fortalecer grupos excluídos. Por isso, gera conexão entre pessoas de diferentes idades e proporciona diálogos importantes sobre temas como raça, classe e gênero e, sobretudo, carrega princípios de paz, amor, união e diversão, além de suas vertentes artísticas.
O Dia do Hip-hop expressou não só a resistência e o desejo de mudança, mas também a necessidade de expor seus sonhos e vontades. Artistas como Mb2, Dough e outros que passaram pelo palco reforçaram em seus shows a importância de acreditar em si. “O Hip-hop traz visões e projeções para o meu caminho e acredito que funciona assim com outras pessoas também. Para muitos, isso aqui é só uma peça de rap. Para outros é revolução”, conclui o rapper Schultz.
O Festival de Inverno de Poços de Caldas segue até o dia 27 de julho, próximo domingo. Confira a programação completa: https://pocosdecaldas.mg.gov.br/festivaldeinverno/