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Foto: GPT

Fusão de municípios

Data da Publicação:

05/08/2025

O projeto de fusão de municípios proposto pelo governo brasileiro, inserido na PEC do Pacto Federativo, reacende um debate antigo e delicado sobre o equilíbrio entre eficiência administrativa e preservação da autonomia local. A medida sugere que municípios com menos de 5.000 habitantes e arrecadação própria inferior a 10% da receita total sejam incorporados a cidades vizinhas. Se aprovada, atingirá cerca de 1.254 municípios — quase um quarto do total no país.
O argumento central é claro: reduzir custos e otimizar a gestão pública. Menos prefeituras e câmaras significam economia com salários de prefeitos, vereadores e equipes administrativas, liberando recursos para áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura. Além disso, a proposta visa frear a criação de novos municípios, evitando a fragmentação do território e a pulverização dos recursos públicos.
Na teoria, a lógica é irrefutável: unir forças para garantir mais qualidade nos serviços e maior capacidade de investimento. Na prática, contudo, o caminho é tortuoso. Lideranças locais dificilmente abrirão mão de cargos e influência, e a população pode resistir à perda de identidade cultural e política, mesmo diante de promessas de eficiência. A exigência de plebiscito para validar as fusões é um reconhecimento de que a mudança não será apenas administrativa, mas também emocional e simbólica.
Outro ponto crucial é a viabilidade real da proposta. Estudos técnicos serão indispensáveis para avaliar se a fusão trará, de fato, ganhos econômicos e administrativos, ou se resultará em novas desigualdades dentro dos municípios incorporados. A experiência internacional mostra que fusões mal planejadas podem gerar economias modestas e aumentar a distância entre o cidadão e o poder público.
Se bem conduzida, a fusão de municípios pode ser um passo importante para modernizar a gestão pública e reduzir gastos improdutivos. Se mal planejada, corre o risco de ser apenas um corte no mapa, que economiza no papel, mas custa caro na vida real.

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