Poços de Caldas, MG – Os programas sociais de Poços de Caldas se transformaram em espaços de inovação científica ao receber a primeira pesquisa que uniu idosos, insetos e Educação Ambiental. A iniciativa possibilitou uma abordagem inédita para compreender e valorizar os saberes culturais da terceira idade.
O estudo foi realizado durante o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL), pela pesquisadora Samantha Martins Ferreira, pedagoga e doutoranda em Ciências Ambientais, sob orientação do Prof. Dr. Ernesto de Oliveira Canedo Júnior, doutor em Entomologia (UFLA) e vice-diretor da UEMG – Poços.
A pesquisa contou com a parceria da Secretaria Assistência Social e a participação de idosos atendidos pelos CRAS, além daqueles que frequentam o Centro de Convivência e a Universidade Aberta para a Terceira Idade (UNABEM), realizada na UEMG.
O diferencial do trabalho foi o uso dos insetos como recurso para estimular reflexões sobre a Educação Ambiental a partir dos conhecimentos culturais da terceira idade. A pesquisa revelou que os idosos contribuem de forma significativa para a valorização da cultura popular e para o fortalecimento do sentimento de pertencimento e cuidado com a natureza. Além disso, reforçou a importância de unir universidade, programas sociais e população idosa, aproximando ciência e sociedade.
Os resultados alcançaram reconhecimento com duas publicações em revistas científicas, sendo que um dos artigos já está entre os mais acessados em sua área, demonstrando a relevância, originalidade e impacto do tema.
A pesquisadora Samantha destacou a importância do projeto. “Essa foi a primeira pesquisa que buscou aproximar a Educação Ambiental dos saberes culturais dos idosos de Poços de Caldas por meio dos insetos. Somos pioneiros sobre o assunto na região. A experiência foi enriquecedora e mostrou como a ciência pode dialogar com a cultura e, principalmente, valorizar os conhecimentos da terceira idade.”
Ela também ressaltou as experiências inéditas vividas pelos participantes. “Além de valorizar os saberes culturais, nessa pesquisa trouxemos vivências únicas. Muito relataram que nunca tinham visto um microscópio de perto. Observar os detalhes dos insetos de forma ampliada foi uma experiência marcante, reforçando a importância de levar a ciência para fora dos muros das universidades.”
O Prof. Dr. Ernesto de Oliveira Canedo Júnior reforçou como a percepção sobre os insetos foi transformada ao longo do estudo. “Quando falamos que trabalhamos com insetos, a primeira reação da maioria das pessoas é de medo e/ou nojo. Isto se deve às crenças populares de que todos os insetos são nocivos e sujos. Entretanto, no decorrer das atividades, os próprios participantes perceberam, através de suas vivências, que estes animais fascinantes fazem parte de seu dia a dia, muitas vezes contribuindo com a cultura e a saúde das pessoas. Assim, no final da pesquisa todos puderam compartilhar seus saberes, aprender mais sobre os insetos, mudar percepções negativas e se tornarem mais sensíveis às questões de conservação ambiental.”
Para mais informações:
Sobre os encontros da Unabem (UEMG): (35) 3713-2671
Para participar dos Centros de Convivência (CRAS):
CRAS Centro: (35) 3697-2240
CRAS Sul: (35) 3697-2855
CRAS Oeste: (35) 3697-4230
CRAS Leste I: (35) 3713-6098
CRAS Leste II: (35) 3697-2242