Poços de Caldas, MG – A nova atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero aponta que quatro mulheres são vítimas de feminicídio por dia no Brasil. O número alarmante demonstra a importância de campanhas como o Agosto Lilás para colocar este tema tão sério na pauta do dia, incentivando as denúncias.
Somente no primeiro semestre de 2025, foram registrados 718 feminicídios no país, sendo 128 apenas em São Paulo, seguido por Minas Gerais (60), Bahia (52), Rio de Janeiro (49) e Pernambuco (45), segundo dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero, elaborado pelo Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal.
O levantamento também aponta que os registros de estupro contra mulheres apresentaram queda em relação a 2024, mas continuam assustadores: foram 33.999 casos de janeiro a junho, uma média de 187 por dia. O Mapa Nacional da Violência de Gênero é uma plataforma interativa que reúne os principais dados públicos e indicadores sobre violência contra mulheres no Brasil.
“Foram 718 vidas perdidas. 718 mulheres que foram mortas apenas por serem mulheres. Diariamente, quatro famílias brasileiras se despedem de uma mulher assassinada pelo companheiro, namorado, marido ou alguém muito próximo, deixando os filhos sem mãe e mães e pais sem suas filhas. Daí a importância fundamental de campanhas de orientação e sensibilização como o Agosto Lilás”, destaca a secretária municipal de Assistência Social, Marcela Carvalho.
O Agosto Lilás é uma campanha anual dedicada ao enfrentamento à violência doméstica e familiar. O mês de agosto marca o aniversário da Lei nº 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, publicada em 7 de agosto de 2006.
Na terça-feira (26), o Senado aprovou o PL 5.178/2023 que oficializa o nome da Lei 11.340/2006 em homenagem à farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que se tornou símbolo do enfrentamento da violência contra a mulher. O texto vai à sanção. (Fonte: Agência Senado).
Realidade em
Poços de Caldas
Em Poços de Caldas, no primeiro semestre de 2025, foram 42 medidas protetivas solicitadas. As medidas protetivas da Lei Maria da Penha são ordens judiciais destinadas a proteger a vítima de violência doméstica, garantindo sua integridade física, psicológica, sexual, moral e patrimonial. Elas incluem o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação e contato, a suspensão do porte de armas e outras medidas que vigoram enquanto houver risco à vítima, podendo ser solicitadas na delegacia e não exigindo advogado para o pedido inicial.
Seis mulheres buscaram acolhimento na Casa Abrigo. O acolhimento provisório para mulheres, acompanhadas ou não de seus filhos, acontece em situação de ameaça ou risco de morte em razão da violência doméstica ou familiar, causadora de lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico ou dano moral. O endereço é sigiloso, para a segurança das abrigadas e de seus filhos. O funcionamento é ininterrupto e conta com equipe multidisciplinar para atendimento e apoio.
Em Poços de Caldas, há violência psicológica em 92,8% dos casos registrados; violência física em 53,6% das ocorrências; em 27,5% dos casos há violência patrimonial; e em 14,5% dos registros há, igualmente, violência moral e sexual.
Rede de serviços
Em Poços de Caldas, o atendimento a mulheres vítimas de violência é realizado pelo Núcleo da Mulher do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), localizado na Rua Laguna, 820 – Jardim dos Estados. O horário de funcionamento é das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira (Telefone: 3697-2626 / WhatsApp 35 9 8871 -1158).
O município conta também com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, que funciona na Av. Dr. David Benedito Otoni, 527 – Jardim dos Estados. O telefone é o 3712-9647. E qualquer pessoa pode denunciar casos de violência contra a mulher pelo Disque Denúncia 180.
Disque Denúncia 180.